- Delta Energia alerta para o risco de apagão no Brasil por excesso de oferta, dizendo que há descompasso entre geração e consumo que pode levar a interrupções.
- A solução apontada é aumentar o consumo, especialmente por grandes indústrias e pela implementação de data centers, sob pena de a crise ocorrer já no mês que vem.
- Em caso de falta de demanda, o ONS pode enfrentar dificuldades para manter a distribuição de energia, elevando a necessidade de agir rapidamente.
- A empresa tem diversificado seus investimentos em todas as matrizes energéticas (exceto hidrelétricas), além de atuação na comercialização, buscando reduzir impactos de flutuações.
- No leilão de reserva de capacidade de energia elétrica de março, a Delta venceu dois lotes de geração a gás natural (235 MW) e planeja ampliar a usina William Arjona, com expectativa de receita adicional relevante.
O setor elétrico brasileiro pode enfrentar cortes de fornecimento por excesso de oferta nas próximas semanas, caso o governo não encontre caminhos para reduzir o descompasso entre geração e consumo. A avaliação é de Ricardo Lisboa, sócio-fundador da Delta Energia, que alerta para o risco de apagão causado pela curtos-circuito da rede.
Segundo Lisboa, a solução passa pelo estímulo ao aumento do consumo, especialmente por grandes indústrias e pela implementação de data centers. Sem ações práticas, o problema pode se manifestar já no próximo mês, com impactos na distribuição de energia.
Para evitar parte do impacto e reduzir custos, a Delta Energia diversifica atuação: trabalha com várias matrizes energéticas além de operar como comercializadora. A empresa também investe em setores de biocombustíveis, geração térmica e solar, além de gestão de energia e mercado livre de energia.
Projeção de diversificação e atuação
Lisboa destaca que a empresa não depende de um único segmento. A diversificação é vista como compensação entre negócios de combustíveis fósseis e renováveis, especialmente em um cenário de menor demanda. A Delta afirma não ter registrado dois setores com problemas simultâneos.
A Delta Energia, fundada em 2001 por Lisboa e Rubens Takano, atua em etanol e biodiesel, comercialização para residências e PMEs, geração térmica e solar, gestão de energia e mercados de energia e gás, além de atuação na comercialização.
Participação em leilões e expansão
A perspectiva de crescimento no setor termelétrico motiva o interesse da Delta em leilões de reserva de capacidade. Em março, o Ministério de Minas e Energia realizou uma contratação de aproximadamente R$ 515 bilhões, com a Delta vencendo dois lotes de geração a gás natural.
A empresa planeja ampliar a usina William Arjona, com 67 MW adicionais, e construir uma nova unidade de 168 MW em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. A primeira fase pode sair de agosto de 2027, com a segunda em 2029, investidos com recursos próprios.
A Delta estima que essas fases gerem receita adicional de pelo menos R$ 1 bilhão, representando cerca de 20% do faturamento da companhia. Lisboa mantém o tom otimista quanto ao andamento dos projetos, ressalvando a necessidade de ajustes junto a fornecedores e ao governo.
Contexto regulatório e próximos passos
Na segunda-feira, 22 de junho, a Aneel aprovou a minuta do segundo leilão de transmissão de energia deste ano, com previsão de realização em 30 de outubro. Estima-se que o certame atraia investimentos de aproximadamente R$ 87,9 bilhões.
O panorama recente envolve decisões judiciais sobre o custo da energia para consumidores, com decisões que alternaram entre suspensão e confirmação. A Aneel, porém, já homologou etapas relevantes para a regulação do setor.
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