- Prefeitura de São Paulo e Governo do Estado respondiam por 85% da carteira de convênios do Banco Digimais, sendo 60% pela prefeitura e 25% pelo funcionalismo estadual.
- O Digimais assinou 69 convênios públicos e pretendia levar esse total a mais de 100 em 2025, ampliando a originação de crédito consignado para setores público e privado.
- A Moody’s Local Brasil rebaixou os ratings do banco em abril de 2026, com perspectiva negativa, e o índice de Capital Nível I ficou em 8%, abaixo do mínimo regulatório de 8,5%.
- Em 2025, ativos problemáticos chegaram a 16,6% e o banco mantinha 4,2 bilhões de reais investidos em fundos alternativos, equivalentes a 42,6% dos ativos totais.
- O Banco Central identificou indícios de demonstrações contábeis falsas e operações vedadas; a Polícia Federal investiga gestão fraudulenta ou temerária e pediu bloqueio de aproximadamente 670 milhões de reais.
A Prefeitura de São Paulo e o Governo do Estado concentram 85% da carteira de convênios do Banco Digimais, instituição controlada por Edir Macedo, segundo documentos do banco obtidos pelo ICL Notícias. A capital sozinha respondia por 60% da operação de crédito consignado, enquanto o funcionalismo estadual somava 25%.
O Digimais expandiu a atuação com convênios públicos em 2025, começando a originação de crédito consignado para funcionários e para o setor privado. O banco firmou acordo com a Prefeitura de São Paulo, ampliando a carteira nessa modalidade.
Em municípios paulistas, há sinais de adesão ao Digimais: protocolo com São Sebastião em novembro de 2025; autorização de Ubatuba para consignação em folha; Praia Grande em chamamento público; Pindamonhangaba, Tupã, Tambaú e Guarulhos também firmaram convênios ou credenciamentos. A rede local cresceu nessa linha.
Entre metas estratégicas, o banco revisou planos para os próximos cinco anos, priorizando novas linhas de crédito consignado e buscando reduzir a dependência de financiamento de veículos. A expansão ocorreu concomitantemente a dificuldades financeiras do Digimais.
Em abril de 2026, a Moody’s Local Brasil rebaixou os ratings do Digimais e divulgou perspectiva negativa. O Capital Nível I (CNI) encerrou 2025 em 8%, abaixo do mínimo regulatório de 8,5%. A instituição precisou de aportes dos controladores para recompor índices de capital.
O banco enfrentou problemas com ativos da carteira, que alcançaram 16,6% em dezembro de 2025. O Digimais mantinha R$ 4,2 bilhões investidos em fundos alternativos, equivalente a 42,6% dos ativos totais e 5,4 vezes o patrimônio líquido.
O Banco Central identificou indícios de inserção de elementos falsos em demonstrativos contábeis e operações vedadas entre o banco e os controladores. A autarquia determinou correções nos registros apresentados.
A Polícia Federal investiga gestão fraudulenta ou temerária no Digimais e requisitou o bloqueio de aproximadamente R$ 670 milhões, além de medidas de busca e apreensão e quebra de sigilos. A apuração envolve a ligação entre o banco e seus controladores.
Ainda segundo a auditoria, houve ressalvas em R$ 3,1 bilhões de fundos de investimento. O registro de ativos do Hermon FIDC-NP somava R$ 741 milhões, com custo de aquisição estimado em apenas R$ 71 milhões.
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