- O bitcoin caiu para o menor nível em mais de duas semanas, aproximando-se de pouco acima de US$ 60.000 no dia 24, perto da mínima de 20 meses, e está cerca de 50% abaixo da máxima histórica de outubro.
- O recuo é atípico porque o fluxo de compradores de varejo praticamente desapareceu, enquanto a demanda institucional já começa a enfraquecer.
- Investidores têm movido recursos para ativos ligados à inteligência artificial, segundo o Deutsche Bank, reduzindo a atratividade dos ativos digitais.
- Saídas de ETFs de bitcoin somaram mais de US$ 6 bilhões, ampliando a maior sequência de perdas desde 2024, conforme analistas destacam a importância dos fluxos institucionais para o preço.
- O mercado tem ficado mais sensível a episódios envolvendo detentores corporativos alavancados e à possibilidade de maior atuação regulatória, com incertezas sobre custos de liquidez e impactos de políticas nos EUA.
Bloomberg afirma que o Bitcoin perde apelo entre varejo e depende mais de Wall Street. A criptomoeda caiu para menor nível em mais de duas semanas, perto de US$ 60 mil, após recuo de cerca de 50% desde a máxima de outubro. A mudança mostra menos participação de varejo.
Especialistas destacam que a força compradora de varejo diminuiu justamente quando a demanda institucional amainou. Investidores passaram a deslocar recursos para ativos ligados à inteligência artificial, reduzindo a liquidez no mercado de criptomoedas.
A volatilidade, porém, ganhou novo impulso com o aperto monetário nos EUA. O Federal Reserve sinalizou tolerância menor a cortes de juros, o que pressionou ativos de risco e ampliou saídas de fluxos para ETFs lastreados em Bitcoin.
Desempenho e fluxo de varejo e institucionais
Entre os ETFs de Bitcoin, saídas superaram US$ 6 bilhões, a maior sequência de retiradas desde 2024, segundo a analista do Deutsche Bank. O efeito das saídas é o mesmo que o ganho com entradas no passado: amplifica quedas.
A demanda por ETFs tornou-se fator-chave para o movimento de preços. Com menos varejo, o mercado passa a reagir mais aos fluxos institucionais e às condições macroeconômicas, aumentando a sensibilidade a notícias negativas.
No começo do mês, a Strategy divulgou venda de 32 bitcoins, a primeira desde 2022. Embora pequena frente ao total da empresa, o episódio evidenciou a vulnerabilidade de detentores corporativos alavancados.
O Deutsche Bank aponta que, hoje, o preço de referência do Bitcoin está abaixo do custo médio de determinadas carteiras institucionais. Se novas saídas ocorrerem, o efeito pode ser duradouro.
O banco ressalta que o capital que sai pode migrar para a IA, com grandes hyperscalers dos EUA investindo bilhões em infraestrutura neste ano, o que tende a reduzir a demanda por criptomoedas a longo prazo.
A ideia é que o mercado passe a ser guiado mais por alocações institucionais do que por empolgação de varejo, sinalizam analistas. A presença de investidores institucionais tende a ampliar a volatilidade diante de variações macro.
Para alguns observadores, a mudança estrutural poderia manter pressão negativa sobre o Bitcoin por mais tempo, caso o fluxo de caixa institucional não se estabilize. O cenário depende de termos regulatórios e da melhoria de demanda.
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