- O novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, sinalizou independência do governo e prioridade à estabilidade de preços, elevando dúvidas sobre uma condução pró‑debasement.
- A narrativa de debasement, que favorecia ouro e Bitcoin, recuou após a nomeação, com o ouro caindo e o dólar ganhando fôlego frente a moedas de referência.
- Investidores passaram a precificar dois aumentos da taxa de juros até o fim do primeiro trimestre de 2027, sendo o primeiro possível já na próxima reunião de julho.
- Warsh reforçou a credibilidade do Fed no combate à inflação, o que impulsionou o dólar e afetou ativos não produtivos como ouro e criptomoedas; títulos do Tesouro de longo prazo sensíveis à inflação subiram.
- Instituições revisaram previsões: Deutsche Bank reduziu a projeção para o preço do ouro, e houve saídas relevantes do SPDR Gold Shares, alvo de quase US$ 1 bilhão neste mês (com ajustes também indicados pela Goldman Sachs).
O início do fim da operação de desvalorização do dólar, favorecendo ouro e bitcoin, pode ser localizado em 30 de janeiro, quando Kevin Warsh foi indicado para comandar o Federal Reserve. A nomeação despertou dúvidas sobre a direção da política monetária.
Antes visto como favorável a juros baixos, Warsh ganhou rapidamente confiança por enfatizar a estabilidade de preços como prioridade. Investidores passaram a reavaliar apostas sobre o dólar e a proteção em ativos como ouro e criptomoedas.
Na primeira reunião de política monetária sob sua liderança, Warsh sinalizou independência do Fed em relação a pressões do governo. A mensagem ajudou a dissipar temores de alinhamento automático com cortes de juros.
Essa postura fez a narrativa do debasement perder força. O ouro recuou até 13% em relação à máxima histórica na semana passada e o Bitcoin também caiu, com o dólar encontrando suporte após trajetória de queda.
Investidores passaram a precificar dois aumentos de juros até o fim de 2027, ante apenas um cenário anterior, ao menos até a última reunião. A expectativa inicial pode ocorrer já na próxima reunião, em julho.
O impacto no câmbio foi claro: o dólar ganhou força, ajudando títulos de longo prazo ligados à inflação e prejudicando ativos como ouro e criptomoedas. A demanda por proteção contra novos ganhos do dólar subiu no mercado de opções.
O bancos elevaram projeções, com o JPMorgan Chase revisando para cima a expectativa de valorização do dólar frente ao euro e recomendando posições em dólar contra moedas de menor rendimento. A mudança de regime do Fed passa a ser observada com cautela pelos mercados.
O Deutsche Bank reduziu a previsão para o preço do ouro em até 22%, diante da maior cautela com a política monetária dos EUA. A visão segue alinhada à recuperação do dólar e à menor demanda por metal precioso.
Outro efeito relevante são as saídas de capital do ouro físico. Quase US$ 1 bilhão deixou o SPDR Gold Shares neste mês, elevando o total de saídas desde fevereiro para US$ 12 bilhões, maior para um período de quatro meses desde 2013.
O cenário aponta para um câmbio mais firme e para um ajuste contínuo de preços de ativos de risco. Autoridades e investidores observam como a nova leitura da política monetária do Fed pode influenciar o fluxo de capitais nos próximos meses.
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