- Estudo da Climate Analytics aponta que calor extremo aliado à seca reduz, em média, quase 3% da renda dos lares europeus; o efeito é maior quando os dois fenômenos ocorrem juntos.
- Em média, onda de calor reduz renda em 0,7% e seca em 1,8%; quando ocorrem simultaneamente, a queda fica perto de 3%.
- As perdas afetam desproporcionalmente as famílias de menor renda, que podem ter redução de cerca de 4%; regiões com mais eventos de calor e seca registram as maiores quedas, como Madrid (aprox. 10%), centro da Hungria (9,4%) e centro da Espanha (8,8%).
- Cenários futuros mostram que limitar o aquecimento a 1,5°C acima do preindustrial reduz a perda média de renda para cerca de 7% até o fim do século, enquanto cenário de 2,7°C eleva a perda para 27%.
- O estudo estima que, em um mundo 1,5°C mais quente, cerca de 60 milhões de europeus estariam em situação de pobreza; em 2,7°C, o contingente poderia passar de 127 milhões. Países do sul e leste da Europa aparecem entre os mais vulneráveis.
O estudo da Climate Analytics aponta um custo invisível das ondas de calor na Europa: a renda das famílias cai, em média, quase 3% quando calor extremo e seca ocorrem conjuntamente. A pesquisa analisou dados de 2004 a 2022 e foi publicada na Global Environmental Change. Os autores alertam para o aumento da pobreza com o aquecimento global.
Condição de seca agrava a perda de renda causada pelo calor. Em média, o calor reduz 0,7% da renda familiar, a seca 1,8%. Quando os dois fenômenos coincidem, a queda média se aproxima de 3%. Além disso, doenças, baixa produtividade e interrupções no fornecimento de água elevam o impacto econômico.
Impacto financeiro por renda
A análise mostra desigualdade de efeitos. Famílias de menor renda sofrem perdas proporcionais maiores, agravando brechas já existentes. Os 20% mais pobres podem ter redução de renda em torno de 4%, frente a 1,1%-1,8% para outros grupos.
Variação regional
Regiões com mais episódios de calor e seca apresentaram as maiores perdas. Madri registra quedas próximas de 10%, a região central da Hungria, 9,4%, e a região central da Espanha, 8,8%. Esses padrões destacam vulnerabilidades locais.
Cenários futuros
Modelos apontam que manter o aumento da temperatura próximo a 1,5°C reduziria perdas para cerca de 7% no fim do século. Em um cenário de 2,7°C, as perdas podem chegar a 27%. Estima-se que 60 milhões de europeus vivam risco de pobreza em 1,5°C e mais de 127 milhões em 2,7°C.
Adaptação ainda lenta
Especialistas destacam necessidade de acelerar a adaptação climática na Europa. Embora haja avanços em políticas de redução de emissões, lacunas na implementação de estratégias de proteção permanecem, segundo relatórios de órgãos no Reino Unido, França e Alemanha.
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