- A Wave Lithium desenvolve projeto para transformar espodumênio em hidróxido e carbonato de lítio, usados em baterias, com objetivo de custar menos que na China.
- Vai montar uma planta piloto de decrepitação e sulfatação com tecnologia de micro-ondas, prevista para ficar pronta em setembro, com investimento de R$ 25 milhões.
- A unidade piloto terá capacidade de processar quatro toneladas por hora de concentrado de espodumênio e alimentar 20 mil toneladas de minério com teores de 5% a 6%.
- O minério será adquirido no Vale do Jequitinhonha, norte de Minas Gerais, região que concentra projetos de lítio, onde já atuam a Companhia Brasileira do Lítio e Sigma Lithium.
- A empresa projeta, a partir dos dados da planta-piloto, uma planta industrial em 2027 com 250 mil toneladas por ano de concentrado, gerando mais de 30 mil toneladas de carbonato equivalente de lítio, com custo estimado de cerca de US$ 1,8 mil por tonelada.
A Wave Lithium, ligada à holding New Wave, trabalha em um projeto para transformar o espodumênio em hidróxido e carbonato de lítio, materiais-chave para baterias de veículos elétricos e dispositivos. A intenção é processar o minério no Brasil com padrões da indústria.
O foco é obter lítio grau bateria com custo competitivo. Hoje, a maior parte do refino global fica na China, país que domina a cadeia desde a mineração até a fabricação de baterias, elevando barreiras para produtores recebendo energia e tecnologia.
A planta piloto está sendo montada em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro, com investimento previsto de 25 milhões de reais. A tecnologia empregada envolve decrepitação e sulfatação por micro-ondas, em uma unidade de demonstração.
Tecnologia e estágio atual
A demonstração terá capacidade de processar 4 toneladas por hora de concentrado de espodumênio. A unidade funcionará com minério adquirido de empresas do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, área conhecida como Vale do Lítio.
A planta de demonstração poderá alimentar 20 mil toneladas de minério com teores entre 5% e 6% de espodumênio. A região já abriga projetos de lítio e empresas como CBL e Sigma Lithium em produção.
A expectativa de Gustavo Emina, sócio e CEO da New Wave, é reduzir o custo de refino pela metade em relação aos padrões chineses, que hoje representam 94% do refino. O custo de capital atual na China fica próximo de US$ 6 mil por tonelada.
Perspectivas econômicas e produção futura
Projeta-se que a Wave Lithium, a partir da planta piloto, alcance em 2027 uma unidade industrial com 250 mil toneladas por ano de concentrado e mais de 30 mil toneladas de LCE. O objetivo é manter o custo em torno de US$ 1,8 mil por tonelada.
A companhia já conversa com potenciais investidores para viabilizar o projeto. Em geral, refinos de lítio em plantas greenfield demandam no mínimo 25 mil toneladas de capacidade para serem competitivos no mercado.
A empresa defende que operar próximo à matéria-prima reduz custos e impactos logísticos. A visão é de que, no futuro, até 80% das operações de lítio sejam integradas, da exploração ao refino, como já ocorre em grandes plantas em outros países.
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