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Flor tem origem: o mercado ainda invisível para o Brasil

Licenciamento de flores, gerido por breeders e pela Lei de Proteção de Cultivares, torna a origem fonte de valor para o consumidor brasileiro

Foto: Cooperativa Cooperflora / DINO
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  • No Brasil, cada variedade floral comercializada depende de licenciamento e pagamento de royalties, regidos pela Lei de Proteção de Cultivares (Lei nº 9.456/1997).
  • Empresas breeders, com foco na Holanda, Itália e Alemanha, investem décadas em genética de flores; o acesso às variedades ocorre via contratos formais.
  • O desenvolvimento de uma variedade leva de dez a doze anos, e apenas cerca de 0,1% dos cruzamentos vira variedade comercial.
  • Exemplo no Brasil: a Alstroemeria ganhou expressão com Petrus De Wit, em Andradas, e hoje a Cooperflora, em Jaguariúna, trabalha com duzentas variedades licenciadas para 16 produtores.
  • Quando o sistema é desrespeitado, há prejuízo para o breeder e para a cadeia, com queda de qualidade, preços distorcidos e informalidade tributária; o mercado vem ganhando clareza e rastreabilidade, aproximando origem e consumidor.

No Brasil, a floricultura vai além da beleza: cada flor comercializada envolve contratos, royalties e propriedade intelectual. O sistema, regulado pela Lei de Proteção de Cultivares, funciona por meio de licenciamento entre breeders e produtores.

As empresas que desenvolvem as flores investem décadas em genética, cruzamentos e seleção de características. O licenciamento permanece pouco conhecido fora do círculo de produtores, mas garante acesso a variedades novas mediante pagamento por volume produzido.

Esse modelo, semelhante ao software ou à agricultura de grãos, exige fiscalização e contratos formais. Mesmo assim, muitas variedades ainda aparecem no mercado de forma informal, impactando preços e qualidade ao longo da cadeia.

Alstroemeria no Brasil: um caso de adoção e regularização

A história começa em Andradas, Minas Gerais, com Petrus De Wit, cooperado da Cooperflora, que iniciou pagamentos de royalties nos anos 1990. Parcerias com breeders internacionais apresentaram resultados de aclimatação ao clima brasileiro.

Hoje, a Cooperflora, em Jaguariúna, SP, reúne 16 produtores com mais de 80 variedades licenciadas. Flores passaram de 4–5 cm para até 8 cm, com hastes mais limpas e maior escape de produção por haste.

O cumprimento de contratos evita perdas para o breeder e competição desleal. A cooperativa mantém rastreabilidade GS1, com fluxo documental completo, fortalecendo a transparência e a confiança do consumidor.

Impacto para o mercado e o consumidor

O reconhecimento da origem transforma a flor em produto com valor agregado, não apenas commodity. Consumidores passam a entender que licenças e royalties subsidiam o desenvolvimento de novas variedades.

A evolução do setor aponta para maior profissionalização nos últimos anos, com crescimento de práticas formais e uma cadeia mais sustentável. A origem passa a ser requisito de qualidade e de legitimidade.

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