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Isolamento vira oportunidade de negócio para startups nos EUA, de cursos a clubes

Economia da conexão impulsiona startups nos EUA com cursos e coaches contra a solidão, mas escalabilidade e rentabilidade seguem como entraves

A solidão é um estado mental crônico para 1 em cada 10 adultos americanos, de acordo com o relatório “Social Connection in America”.
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  • A “economia da conexão” cresce nos EUA, com bootcamps e coaching para ampliar círculos sociais, com preços variando entre US$ 398 e US$ 499, além de opções com coaching individual.
  • Em Nova York, Alex popularizou encontros casuais a partir de um panfleto na lavanderia, criando o Platonic Action Lab para ajudar pessoas a fazer amigos e expandir redes.
  • A solidão é tema relevante: 1 em cada 10 adultos americanos é considerado solitário, e o tempo diário sozinho subiu de 285 minutos em 2003 para 333 minutos em 2020.
  • Exemplos de facilitadores: Unshyness oferece treinamentos de fim de semana por US$ 1.440; Robin cobra 2.000 euros por ano para acesso a encontros sociais e apresentação a potenciais conhecidos; o perfil é majoritariamente masculino em algumas opções.
  • Desafios de escala aparecem: Build IRL ajudou clubes sociais, mas não foi lucrativa; investidores mostram ceticismo sobre negócios pró-social, enquanto serviços de apoio à conexão social ganham valor como complemento à vida real.

A chamada de Atlas para a “economia da conexão” surge dos EUA, onde iniciativas de comunidades e coaches visam transformar a solidão em negócio. A origem da ideia aparece em Nova York, com um panfleto na lavanderia de um condomínio, que acabou reunindo vizinhos para cafés e conversas casuais.

A criada do PAL, Kat Vellos, orientou a fundadora a buscar um caminho de convivência além do grupo existente. O movimento ganha força com cursos que prometem ampliar círculos sociais, especialmente entre adultos que se sentem isolados, sem relação com romance ou parentalidade.

A solidão é apontada como problema público: estudos indicam aumento de tempo diário isolado entre 2003 e 2020 e impactos na saúde. Organizações internacionais estimam que um sexto da população mundial é afetada, com riscos de mortalidade e bem-estar.

Bootcamp social

No coração de Manhattan, Alex promove o PAL para ampliar o convívio entre vizinhos. O programa usa estudos de caso, com seis tipos de convites para aproximar conhecidos, com custos que variam entre US$ 398 e US$ 499, incluindo coaching adicional.

A ideia de “bootcamp” para amizades se conecta a uma pesquisa de cinco anos da criadora, que mira desenvolver habilidades para manter relações reais. O guia de Priya Parker, lançado em 2018, também influencia a prática apresentada.

Enquanto isso, em Park Slope, Marisol participou de um treinamento da Unshyness para desenvolver confiança social. O programa dura oito semanas e envolve exercícios presenciais, como ações públicas que estimulam interação com estranhos.

Facilitadores e modelos

A Unshyness é liderada por Marsel Maza, que migrou da Rússia para os EUA e oferece cursos de dois dias por US$ 1.440. Outros participantes incluem Sara Bonacina, que também passou pelo treinamento e promove aproximações informais entre desconhecidos.

Há também modelos de clubes privados, como o Robin, que cobra anuidade de cerca de € 2.000 e organiza encontros em ambientes sociais. Natasha Slater descreve uma rede de apoio que facilita apresentações entre membros com objetivos similares.

A Bring IRL funciona como aceleradora de clubes de comunidades, com foco em projetos como grupos de cães ou danças, financiada por doações e sem lucro direto. A iniciativa buscou escalar, mas não atingiu lucratividade estável.

Desafios de escalabilidade

Solvência e crescimento estruturado são entraves para esse setor. A Build IRL, criada por ex-funcionários da McKinsey, tentou financiar e escalar clubes sociais, mas encerrou atividades em 2024. O acesso a capital foi apontado como entrave maior.

Especialistas destacam que tecnologia e IA entram na equação como apoio, com robôs conversacionais e dispositivos que prometem reduzir a solidão. Pesquisas indicam benefícios de socialização humana, porém com efeitos diferentes de interações reais.

Relatórios de think tanks apontam a necessidade de redes presenciais para valor econômico do capital social, reforçando o papel de comunidades organizadas como alternativa a plataformas digitais solitárias.

Impacto local e perspectivas

Em Turtle Bay, Nova York, a experiência de formar redes de vizinhança mostra que conexões significativas podem emergir de ações simples de engajamento. Moradores que participam relatam maior abertura para conhecer pessoas.

Dados apontam tendência de demanda por serviços de conexão humana, mas o equilíbrio entre impacto social e rentabilidade permanece incerto. A nova geração de iniciativas busca aliar propósito a modelos de negócio viáveis.

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