- A Bending Spoons estreou na Nasdaq sob o código BSP, levantando US$ 1,68 bilhão e elevando a avaliação da empresa para cerca de US$ 25 bilhões (aproximadamente R$ 130 bilhões na cotação da estreia).
- O modelo é comprar marcas maduras da internet, quase sempre com dívida, cortar custos, reescrever a tecnologia e acelerar o crescimento, sem revender os ativos.
- A Evernote foi a aposta que colocou a empresa no mapa, seguida de outras aquisições como Eventbrite, AOL, Vimeo e WeTransfer, somando mais de cinquenta negócios.
- Cerca de 700 jovens, chamados de “Spooners”, são usados para reestruturar as empresas adquiridas; a receita por Spooner chegou a US$ 2,57 milhões no ano passado.
- Críticas ao modelo incluem demissões em massa, baixa transparência financeira e dependência de novas aquisições para sustentar o crescimento, além de peso da dívida.
A Bending Spoons, empresa italiana de tecnologia, fez 50 aquisições e estreou na Nasdaq com código BSP. Em seu primeiro dia, as ações subiram 40%, fechando a US$ 40,5. O valor de mercado ficou em cerca de US$ 25 bilhões, ou ~R$ 130 bilhões.
A companhia nasceu de um fracasso: com US$ 40 mil após um projeto que falhou, em 2013, em Copenhague. Hoje, o grupo dirige marcas esquecidas da internet, como Evernote e Vimeo, mantendo-as como parte de seu portfólio.
A estratégia é simples em aparência: comprar negócios maduros, frequentemente com dívida, cortar custos, reescrever tecnologia e acelerar o crescimento. Ao contrário de fundos, a Bending Spoons mantém as aquisições para lucro próprio, sem revenda.
O montante captado com a abertura de capital foi de US$ 1,68 bilhão, elevando a fortuna do fundador Luca Ferrari e de seus três sócios. O modelo depende de identificar valor onde o mercado já desistiu.
Segundo Ferrari, a empresa busca alvos com núcleo de qualidade — marca, base de clientes ou equipe — e reestrutura o resto para gerar maior desempenho. O objetivo é sustentar o crescimento após a lista na bolsa.
A trajetória e o modelo de negócios
A história começa em 2013, com um aplicativo de diário criado por Ferrari, Matteo Danieli e Francesco Patarnello. Após o fracasso, sobraram US$ 40 mil e a vontade de tentar novamente.
O nome Bending Spoons nasceu de uma sugestão de Danieli, inspirado no filme Matrix. A ideia é dobrar regras para transformar negócios. Ao longo dos anos, a empresa passou a adquirir aplicativos de celular silenciosamente.
A aposta ganhou visibilidade no Vale do Silício em 2023, com a compra do Evernote. A operação gerou controvérsia, com demissões e ajustes de preços; mesmo assim, a aquisição é apontada como pivotal para o portfólio.
A empresa também incorporou Eventbrite, AOL, Vimeo e WeTransfer, entre outras marcas, totalizando mais de 50 negócios. O grupo mantém cerca de 700 funcionários, chamados de Spooners, para liderar as transformações.
A remuneração de cada Spooner chegou a aproximadamente US$ 2,57 milhões no ano anterior. Em 2025, menos de 300 foram contratados entre 800 mil candidatos, segundo a gestão.
Desafios e perspectivas
Críticos apontam demissões em massa e baixa transparência financeira como pontos de tensão. A falta de dados abertos tornou difícil avaliar o desempenho agregado após absorção de cada empresa.
Bancos já relataram que a falta de clareza pode ter pesado na recusa de empréstimos. Com a abertura de capital, a empresa passa a dispor de ações para novas aquisições, aumentando o endividamento potencial.
O futuro depende de manter o ritmo de compras sem comprometer a saúde financeira. A Bending Spoons tem cerca de US$ 4,4 bilhões em passivos, o que exige cautela diante de juros altos.
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