- Citi antecipa que o preço do Brent pode chegar a 60 dólares por barril no fim deste ano, em cenário de excesso de oferta após a reabertura do estreito de Ormuz.
- A oferta global tem se reajustado diante de conflitos no Oriente Médio, guerra entre Rússia e Ucrânia e tensões entre EUA e Irã, gerando volatilidade de preços, mas sinais de maior estabilidade após a normalização dos fluxos.
- O bloqueio de Ormuz tem aumentado exportações de Estados Unidos, Brasil, Canadá, Cazaquistão, Venezuela e Rússia, pressionando o equilíbrio do mercado.
- Grandes bancos destacam oportunidades para empresas como Total Energies, com potencial de valorização de até cerca de 25% caso haja desbloqueio completo de Ormuz; outras majors também são apontadas como beneficiadas.
- Além do petróleo tradicional, analistas veem oportunidades em serviços petrolíferos e na cadeia de suprimentos, com foco em companhias de perfuração, engenharia e manutenção.
O mercado global de petróleo passa por um novo equilíbrio após meses de volatilidade. Bancos de investimento estimam que o Brent pode recuar para 60 dólares no fim deste ano, em meio a uma onda de oferta excedente após o desbloqueio do Estreito de Ormuz. A resistência da demanda, porém, mantém o cenário imprevisível.
A assinatura de um memorando entre Estados Unidos e Irã em 17 de junho não dissipou a incerteza. Analistas ressaltam que a volatilidade pode persistir enquanto fluxos por Ormuz não se normalizarem completamente. Espera-se que estoques estratégicos sejam recompostos, o que pode favorecer um novo equilíbrio de oferta.
Oferta, demanda e previsões
Especialistas indicam que a normalização dos fluxos pode levar a uma situação de excedente. A estimativa é de que o mercado passe por uma fase de maior estabilidade de preços à medida que a produção se ajusta aos estoques globais. Entre as casas de análise, há previsões de queda de preços para o Brent ao longo de 2026.
Alguns bancos projetam menor volatilidade para 2027, com preços que podem se encontrar em patamares próximos de 70 dólares por barril. Outras entidades veem o cenário como uma oportunidade tática, sujeita a alterações conforme a geopolítica possa evoluir.
Empresas e estratégias de investimento
Entre as grandes petroleiras, o equilíbrio de custos passa a ser crucial. Bancos destacam a Total Energies como potencial beneficiária de uma normalização de Ormuz, com impactos positivos para o preço de suas ações. Morgan Stanley, porém, aponta cenários de preços ainda acima de 80 euros por ação para algumas companhias, dependendo do ritmo de recuperação da produção global.
Analistas de outros bancos ressaltam que grandes integradas com balanço sólido, exposição a gás natural e disciplina de capital podem manter a rentabilidade mesmo diante de preços mais baixos. Entre as recomendações, aparecem empresas como Shell, Eni e Repsol, além de players de fora da Europa como Aramco e Chevron.
Perspectivas para serviços e upstream
Outra linha de oportunidade aparece nos serviços petroleros. Empresas de perfuração, engenharia e manutenção podem ampliar gastos para sustentar e ampliar capacidade, favorecidas por cortes de risco de capital das produtoras. Recomendações de compra variam entre SlB, Halliburton e outras firmas do setor, com apoio de grandes instituições financeiras.
Analistas destacam também que a cadeia de suprimentos está se reorganizando para além do Oriente Médio. A produção offshore em Brasil e Noruega permanece competitiva, o que pode sustentar margens de empresas de exploração e produção. A visão é de que o setor combine prudência de capital com ganhos de produtividade a partir de 2027.
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