O governo de Tarcísio de Freitas, pelo programa Voar, vai implantar um experimento educacional nas escolas estaduais. O foco é separar alunos por níveis de aprendizagem no 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental. A medida visa reduzir desigualdades em Língua Portuguesa e Matemática.
O planejamento alcança 147 escolas de 14 diretorias de ensino, conforme lista a que a reportagem teve acesso. O documento aponta o nome dos estudantes e o nível de proficiência, classificado como adequado, básico ou abaixo do básico, com base no Saresp.
Na prática, as turmas ficam divididas em adaptado e padrão. Estudantes com defasagens maiores vão para o grupo adaptado; os com menor defasagem, para o grupo padrão. O material didático será o mesmo, reorganizado segundo o que chamam de escopo sequencial.
A Secretaria de Educação afirma que o objetivo é acelerar habilidades para acompanhar o currículo estadual, não aumentar conteúdo em menos tempo. O acompanhamento ocorrerá com apoio de equipes técnicas do governo e do material já utilizado.
Para avaliar o modelo, a Seduc reúne 95 escolas como grupo controle. As análises contarão com a parceria de organizações privadas ligadas à educação e de um time de Harvard, segundo a secretaria.
Críticos ouvidos pela imprensa destacam riscos de estigmatização e bullying entre os estudantes, com rotulagens como turmas de “inteligentes” ou “bagunceiros”. Professores destacam a falta de detalhes operacionais do projeto.
Pesquisadores da USP também ressaltam que a segmentação pode incentivar práticas já rejeitadas no passado e reduzir a autonomia docente. A avaliação do impacto e da forma de implementação ainda não está clara para as escolas.
A Seduc assegura que o programa não rotula alunos e busca reduzir o desengajamento no modelo tradicional, oferecendo condições pedagógicas mais adequadas. O diagnóstico pedagógico orienta a organização das turmas, sem criação de novas séries.
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