Ter um diploma de ensino superior ainda é um dos principais caminhos para a estabilidade profissional. Mas os dados mais recentes mostram que essa relação está longe de ser automática. Levantamento do Instituto Semesp revela que a inserção no mercado varia de forma significativa conforme o curso escolhido. Em alguns casos, o diploma não se […]
Ter um diploma de ensino superior ainda é um dos principais caminhos para a estabilidade profissional. Mas os dados mais recentes mostram que essa relação está longe de ser automática.
Levantamento do Instituto Semesp revela que a inserção no mercado varia de forma significativa conforme o curso escolhido. Em alguns casos, o diploma não se traduz nem em emprego, nem em atuação na área de formação.
Entre os formados em história, por exemplo, 31,6% não exercem qualquer atividade remunerada. É o maior índice entre os cursos analisados; praticamente um em cada três profissionais estão fora do mercado. Na sequência aparecem relações internacionais (29,4%) e serviço social (28,6%).
O estudo ouviu 5.681 pessoas entre 9 de agosto e 1º de setembro de 2024. A maioria concluiu a graduação há menos de cinco anos, em instituições privadas e na modalidade presencial.
Apesar dos números preocupantes em algumas áreas, o quadro geral ainda aponta para alta taxa de ocupação: 87,3% dos diplomados estão trabalhando, seja como CLT ou PJ. Ainda assim, 12,7% permanecem sem emprego.
Cursos com maior proporção de formados sem trabalho:
1 – História 31,6%
2 – Relações internacionais 29,4%
3 – Serviço social 28,6%
4 – Radiologia 27,8%
5 – Enfermagem 24,5%
6 – Química 22,2%
7 – Nutrição 22,0%
8 – Logística 18,9%
9 – Agronomia 18,2%
10 – Estética e cosmética 17,5%
Quando o diploma não define a carreira
Mesmo entre os que estão empregados, a formação acadêmica nem sempre determina o caminho profissional. Segundo a pesquisa, 25,9% dos trabalhadores atuam em áreas diferentes daquelas em que se formaram.
Em alguns cursos, essa desconexão é ainda mais evidente. Mais da metade dos engenheiros químicos (55,2%) não trabalha na área. Relações internacionais (52,9%) e radiologia (44,4%) também aparecem entre os casos mais críticos.
Cursos com maior proporção de profissionais fora da área:
1 – Engenharia química 55,2%
2 – Relações internacionais 52,9%
3 – Radiologia 44,4%
4 – Engenharia de produção 42,4%
5 – Processos gerenciais 41,2%
6 – Gestão de pessoas/RH 40,5%
7 – Jornalismo 40,4%
8 – Biologia 40,0%
9 – Química 38,9%
10 – História 36,8%
Subemprego também entra no radar
Outro dado que chama atenção é o número de profissionais que ocupam funções que não exigem ensino superior. Hoje, 4,7% dos formados estão nessa condição.
O curso de processos gerenciais lidera esse ranking, com 17,6% dos egressos em cargos que poderiam ser ocupados sem diploma. Serviço social (16,7%) e gestão comercial (12,9%) também aparecem entre os mais afetados.
Cursos com maior proporção de profissionais em funções que não exigem graduação:
1 – Processos gerenciais 17,6%
2 – Serviço social 16,7%
3 – Gestão comercial 12,9%
4 – Engenharia mecânica 11,9%
5 – Logística 11,3%
6 – História 10,5%
7 – Design 10,0%
8 – Engenharia elétrica 9,7%
9 – Moda 8,3%
10 – Economia 8,0%
Onde o diploma ainda faz diferença
Se, por um lado, há cursos com dificuldades de inserção, por outro, algumas áreas seguem com alta aderência entre formação e mercado.
Entre os profissionais empregados, 69,3% trabalham na área em que se formaram. Os cursos da saúde lideram esse cenário. Em medicina, por exemplo, 92% dos formados atuam diretamente na profissão.
Cursos com maior proporção de atuação na área de formação:
1 – Medicina 92,0%
2 – Farmácia 80,4%
3 – Odontologia 78,8%
4 – Gestão da tecnologia da informação 78,4%
5 – Ciência da computação 76,7%
6 – Medicina veterinária 76,6%
7 – Design 75,0%
8 – Relações públicas 75,0%
9 – Arquitetura e urbanismo 74,6%
10 – Publicidade e propaganda 73,5%
O impacto no bolso
A diferença entre atuar ou não na própria área também aparece na renda. Profissionais empregados na área de formação ganham, em média, R$ 4.494. Fora da área, o valor cai para R$ 3.523 — e recua ainda mais, para R$ 2.712, entre aqueles em funções que não exigem diploma.
O tipo de formação também pesa. Quem se formou em cursos presenciais recebe, em média, R$ 4.204, acima dos R$ 3.422 registrados entre egressos do ensino a distância.
Já a qualificação adicional se mostra decisiva: profissionais com pós-graduação têm renda média de R$ 5.924, enquanto aqueles com apenas ensino superior ganham, em média, R$ 4.113.
No fim, o estudo reforça um diagnóstico que se consolida: o diploma continua sendo importante, mas, sozinho, já não garante lugar no mercado.
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