Em Alta NotíciasConflitosPessoasAcontecimentos internacionaiseconomia

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Estudante na Nigéria foi torturado, perdeu a mão e luta pela educação

Caso de Ovey Friday expõe barreiras de inclusão: biometria universitária falha para quem tem cicatrizes, levando à adoção da impressão do pé

The fact that Ovey Friday is unable to provide thumbprints nearly cost him a place at university
0:00
Carregando...
0:00
  • Ovey Friday, hoje com 19 anos, foi torturado aos 13 anos em Nasarawa e perdeu a mão esquerda; o sistema de biometria da prova deIngressos para a universidade quase o deixou de fora.
  • Com o empurrão de um tutor e defensores dos direitos das pessoas com deficiência, foi aceito o registro por impressão do dedo do pé; atualmente estuda inglês e estudos literários em uma universidade de Nasarawa, sendo o primeiro da família a ingressar no ensino superior.
  • Muitos nigerianos com deficiência enfrentam obstáculos, como apps que não reconhecem o rosto e a necessidade de deslocamento para serviços essenciais; estima-se que mais de trinta e cinco milhões vivam com algum tipo de deficiência, cerca de quinze por cento da população.
  • A legislação de dois mil e dezenove criou a Comissão Nacional para as Pessoas com Deficiência e visa proteger direitos e acesso a serviços públicos; houve avanços como a redução de taxas do JAMB para pessoas com deficiência e a criação de centros dedicados, além da dispensa de até setenta e cinco por cento de taxas na Universidade Federal de Lafia.
  • Defensores pedem inclusão real e contínua: acessibilidade não é apenas questão de obras, mas de intérpretes de língua de sinais, materiais adequados, docentes preparados e plataformas digitais pensadas para diferentes usuários; o desafio é ampliar investimentos e cumprir leis existentes.

O jovem Ovey Friday, de 19 anos, vive uma rotina de superação após ter a mão amputada em consequência de tortura ocorrida quando tinha 13 anos. Acusado de bruxaria pela madrasta, foi levado a um shrine no estado de Nasarawa, no centro da Nigeria, onde sofreu violência física. O enterro de suas dificuldades começou ali, quando o médico precisou sedá-lo e operá-lo.

A lesão foi irreversível: a mão esquerda foi amputada e os dedos da mão direita ficaram severamente danificados. O relato do estudante aponta para um trauma que o levou a enfrentar preconceito e olhares curiosos nas ruas, além de dificuldades para seguir os estudos.

Dois anos atrás, a tentativa de Ovey de prestar o Exame Nacional de Vestibular da Nigéria, gerido pela Junta de Admissões e Matriculação (JAMB), quase foi inviabilizada pela falha do sistema biométrico. A incapacidade de capturar a impressão digital manchada prejudicava sua identificação.

A situação ganhou contorno graças à intervenção de um tutor responsável e de defensores dos direitos de pessoas com deficiência, que conseguiram that o registro da JAMB aceitasse a verificação por impressão de toe. Hoje, Ovey frequenta um curso de Letras na Federal University of Lafia, em Nasarau, sendo o primeiro da família a ingressar no ensino superior.

Outros casos mostram obstáculos repetidos. Scarlett Eduoku, apresentadora de rádio no estado de Kano, relata que muitas plataformas não reconhecem o rosto, dificultando serviços de telefonia e a atualização de cartões SIM. Ela perdeu o olho esquerdo aos 18 meses, o que a obriga a deslocar-se a centrais de atendimento para confirmar identidade.

A estimativa é de que mais de 35 milhões de Nigerianos, cerca de 15% da população, vivam com algum tipo de deficiência. Em 2019, o parlamento aprovou norma que proíbe discriminação e assegura acesso a serviços públicos, criando a Comissão Nacional para Pessoas com Deficiência (NCPWD).

A atuação da NCPWD é vista com otimismo, mas mudanças ainda andam devagar. A instituição cita reduções de taxas da JAMB para candidatos com deficiência e a criação de centros especializados, além de incentivos para universidades adaptarem custos de matrícula. As ações alimentam a esperança de maior inclusão.

Especialistas destacam a necessidade de infraestrutura acessível, desde rampas até materiais adaptados e plataformas digitais inclusivas. A acessibilidade vai além de melhorias físicas, envolvendo educação de professores, intérpretes de língua de sinais e recursos para estudantes com diferentes necessidades.

Para a comunidade, o desafio é ampliar investimentos públicos e aplicar de forma eficaz as leis existentes. A meta é tornar o ambiente educacional e institucional realmente inclusivo, de modo que nenhum cidadão seja excluído por limitações de identidade ou mobilidade.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais