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AMB alerta sobre falhas em cursos de formação médica no Brasil

AMB alerta sobre formação médica; 30,6% dos cursos avaliados apresentaram desempenho insuficiente no Enamed, com maior incidência em privadas e municípios menores

Associação Médica Brasileira alerta para falhas em cursos no Brasil | Pexels
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  • A AMB informou que 30,6% dos cursos de medicina avaliados no Enamed 2025 tiveram desempenho insuficiente, em um conjunto de 350 cursos.
  • O levantamento abrangeu 39.256 recém-formados, em todo o país, para medir a qualidade da formação médica.
  • Houve expansão dos cursos de medicina nos últimos dez anos, passando de 252 para 494, o que eleva o acesso mas traz desafios de qualidade.
  • Entre os cursos avaliados, 107 foram classificados como insuficientes e 243 como suficientes; o desempenho insuficiente é muito mais comum em instituições privadas (44,2%) do que em públicas (4,2%).
  • Fatores associaram pior desempenho: menor relação candidato/vaga, maior número de alunos por docente, cursos com menos de dez anos e menor desempenho em regiões com municípios menores, especialmente no Norte (46,7%).

A Associação Médica Brasileira (AMB) aponta falhas na formação médica no Brasil com base no estudo Demografia Médica no Brasil – Radar. O relatório analisa a primeira edição do Enamed, aplicada em 2025, e avalia 39.256 recém-formados de 350 cursos de medicina.

Os dados indicam que 30,6% dos cursos tiveram desempenho insuficiente. A expansão recente de cursos, que dobrou entre 2014 e 2024, contribuiu para esse resultado, ampliando o acesso mas levando a desafios de qualidade.

Entre os cursos avaliados, 107 tiveram desempenho insuficiente e 243, considerados suficientes. A discrepância entre instituições públicas e privadas é expressiva: apenas 4,2% dos públicos foram insuficientes, contra 44,2% dos privados.

Desempenho por modalidade de instituição

A AMB destaca que a diferença entre modelos de formação não é ideológica, mas técnica. A qualidade deve ser assegurada de forma independente da natureza jurídica dos cursos, segundo o diretor científico da entidade, José Eduardo Dolci.

O estudo aponta que locais com menor concorrência entre candidatos por vaga apresentaram pior desempenho. Além disso, cursos com mais alunos por docente registraram resultados menos favoráveis.

Apenas para ilustrar, cursos com boa performance tinham uma mediana de 5,6 estudantes por professor, enquanto os insuficientes alcançaram 10 alunos por docente.

O tempo de existência dos cursos também influencia. Instituições com menos de 10 anos de funcionamento apresentam mais do que o dobro de chances de desempenho insuficiente. Os cursos mais antigos obtêm melhores resultados.

Locais com menos de 300 mil habitantes concentram maior share de cursos com desempenho insuficiente. Regionalmente, o Norte registra 46,7% de cursos inadequados, seguido pelo Centro-Oeste com 40%.

Perspectivas regionais e políticas públicas

O levantamento aponta ainda desigualdades regionais entre as cinco regiões do país. O Sudeste fica com 31,9%, o Nordeste com 30,2% e o Sul com 13,8%.

Dolci afirma que é necessário avançar mecanismos que assegurem qualidade. Avaliar é essencial, mas agir com regulação mais rígida e políticas públicas consistentes também.

Exame de proficiência

O estudo ganha relevância no debate sobre a criação de um exame de proficiência para médicos recém-formados. A proposta está sendo discutida no Congresso.

Conforme o texto, quem não for aprovado poderá atuar apenas em atividades técnico-científicas sem contato com pacientes, mediante autorização do Conselho Regional de Medicina (Inscrição de Egresso em Medicina).

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