- O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lança nesta segunda-feira o Desenrola 2.0, programa de renegociação de dívidas com juros de até 1,99% ao mês e descontos entre 30% e 90%.
- Entre os alvos está o Fies, com 65,1% dos 2,47 milhões de contratos ativos inadimplentes, segundo dados solicitados ao FNDE.
- A dívida acumulada do Fies cresceu nos últimos dez anos, chegando a R$ 120 bilhões, conforme levantamento do FNDE.
- O Fies mudou no governo de Michel Temer, com o Novo Fies em 2018, eliminando a carência e incluindo parcelas durante o curso, com cobrança após a formatura.
- A inclusão do Fies no Desenrola 2.0 ainda não tem regras definidas; o FNDE afirma que estão em estudo alternativas, sem previsão de implementação.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou nesta segunda-feira o Desenrola 2.0, programa de renegociação de dívidas com juros de até 1,99% ao mês e descontos de 30% a 90%. A meta inclui o Fies, Fundo de Financiamento Estudantil, com 65,1% de inadimplência entre 2,47 milhões de contratos ativos.
Segundo dados mais recentes do FNDE, a dívida total do Fies chegou a mais de 120 bilhões de reais. O governo classifica o atraso como um entrave ao financiamento de novos estudantes e ao equilíbrio financeiro do fundo.
O anúncio ocorre a menos de seis meses das eleições e visa ampliar o acesso ao ensino, ao mesmo tempo em que busca reduzir o impacto fiscal do programa no orçamento federal. O Desenrola 2.0 é apresentado como instrumento de renegociação com condições mais brandas.
O que muda no Fies e como fica o pagamento
A renegociação prevê juros menores e prazos mais flexíveis para quitar dívidas, com cobrança atrelada a parcelas que podem caber melhor no orçamento familiar. A ideia é facilitar a regularização de contratos em atraso e reduzir a inadimplência histórica do programa.
A mudança foi debatida com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação e o Ministério da Educação, que confirmaram estudos para definir regras finais. Ainda não há data definida para a implementação de novas condições. O foco é a ampliação da adesão.
Contexto financeiro e impacto para famílias
As dificuldades de pagamento se relacionam ao custo de vida e ao endividamento geral das famílias. Relatórios indicam que muitos ex-alunos priorizam o rotativo do cartão de crédito, cuja taxa é elevada, em detrimento do pagamento do Fies.
Especialistas apontam que o histórico de mudanças no Fies contribuiu para a percepção de complexidade do programa. A renegociação busca reduzir o peso financeiro sobre o orçamento familiar e preservar a capacidade de financiamento estudantil.
Panorama político e opinião pública
Dados de percepção entre jovens indicam queda de aprovação de Lula, com pesquisas apontando reprovação entre boa parte do eleitorado jovem. A inclusão do Fies no Desenrola 2.0 é vista como resposta a parte dessa demanda, sem pretender favorecer nenhum grupo específico.
O MEC informou que avalia continuamente o programa, em parceria com o FNDE e o Comitê Gestor do Fies, com base em estudos técnicos e nas informações de fluxo de caixa. As informações são mantidas sob acompanhamento permanente.
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