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STJ valida curso de medicina da UFPE para sem-terra após contencioso

STJ valida curso de medicina para sem-terra na UFPE, com 80 vagas em Caruaru, após disputas judiciais envolvendo TRF cinco e AGU

Campus da UFPE (Universidade Federal de Pernambuco)
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  • STJ validou o curso de medicina para pessoas oriundas de assentamentos da reforma agrária e de comunidades quilombolas na UFPE, com assinatura do ministro Herman Benjamin na sexta-feira (22).
  • O TRF da quinta região havia pedido a suspensão da turma após o primeiro semestre, para analisar possíveis irregularidades no processo de seleção dos estudantes da categoria “educadores do campo”.
  • O edital abriu oitenta vagas, no campus de Caruaru, para beneficiários do Pronera (Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária).
  • A decisão do STJ entendeu que interromper a turma seria lesão à ordem pública e à continuidade de política pública de inclusão educacional.
  • A controvérsia atraiu críticas de entidades, como o Conselho Federal de Medicina, além de parlamentares e associações, com debates sobre critérios de seleção e políticas afirmativas.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) validou o curso de medicina da UFPE, criado para estudantes oriundos de assentamentos da reforma agrária e comunidades quilombolas, em parceria com o Incra. A decisão foi assinada pelo ministro Herman Benjamin, presidente da Corte, nesta sexta-feira.

A AGU revertou no STJ a suspensão determinada pelo TRF5, que previa interromper o curso após o encerramento do primeiro semestre para analisar irregularidades no processo seletivo da categoria educativa do campo.

A iniciativa foi lançada pela UFPE em conjunto com o Incra e abriu 80 vagas para o campus de Caruaru, no Agreste pernambucano, por meio do Pronera, programa de educação voltado ao campo. A proposta enfrentou disputas judiciais desde setembro de 2025.

Contexto e desdobramentos

O TRF5 havia decidido pela suspensão, citando questionamentos sobre critérios de seleção para a turma especial. O STJ argumentou que interromper a oferta configuraria lesão à ordem pública e prejudicaria a política pública federal de inclusão.

Tadeu Calheiros, vereador do Recife, acionou a Justiça em 9 de outubro do ano anterior, alegando que a medida favorecia critérios discricionários e poderia beneficiar integrantes de movimentos sociais ligados ao MST. O caso ganhou contornos políticos e jurídicos nacionais.

O Conselho Federal de Medicina (CFM) criticou a criação da turma, argumentando que a formação médica deve obedecer a critérios técnicos isolados de qualquer viés ideológico. Entidades como a Associação Paulista de Medicina também questionaram o caráter da medida.

Repercussões institucionais

O Senado, por meio da Frente Parlamentar da Medicina, considerou o edital uma anomalia e alertou para o potencial precedente em ações afirmativas. Parlamentares também cobraram esclarecimentos de ministérios sobre critérios adotados. O processo continua sob escrutínio público.

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