- Pesquisa do Instituto Alana, em parceria com o Equidade.info, com 2.551 estudantes mostra que 37,1% das alunas que menstruam faltam às aulas todo mês por causa das dores menstruais.
- A cólica é citada por 57,7% das entrevistadas como principal sintoma que interfere na rotina escolar, podendo resultar em cerca de dois dias de ausência por mês.
- Desigualdade racial: meninas negras relatam menos cólicas intensas, mas perdem mais dias de aula por menstruação (até 1,5 vez mais) do que as brancas; 14,5% das negras faltam por menstruação, contra 9,6% das brancas.
- Diferenças regionais: Norte e Centro-Oeste apresentam maior falta de infraestrutura, com ausência de banheiro ou produtos de higiene menstruais citadas como motivo de faltas (18,9% e 30,2%).
- Menarca precoce: em média, 65,2% das meninas menstruaram até os 11 anos; a prevalência varia por região, com maior incidência no Nordeste e Sul.
Seis em cada dez estudantes do ensino fundamental e médio que menstruam relatam cólicas moderadas ou intensas, suficientes para impactar a rotina escolar e exigir o uso de medicamentos. Além disso, 37,1% das alunas dizem faltar às aulas todos os meses por causa das dores.
A divulgação ocorre em estudo do Instituto Alana, em parceria com o Instituto Equidade.info, publicado na última quarta-feira. A pesquisa foi realizada em fevereiro com 2.551 estudantes, entre elas 770 que menstruam, 303 docentes e 181 gestores, de redes públicas e privadas em todo o país.
Os dados apontam que a cólica é o principal sintoma responsável pelo afastamento, citado por 57,7% das entrevistadas. Outros sintomas incluem cansaço (30,1%), dor de cabeça (28%), dor de barriga (20,1%), vergonha de vazamento (19,3%) e falta de banheiro ou de higiene (8,2%).
Ausências e atrasos
Os sintomas menstruais podem equivaler a cerca de dois dias de ausência por mês, segundo o levantamento. A analista Sofia Reinach, do Instituto Alana, destaca que o absenteísmo prejudica aprendizagem, vínculo com a escola e oportunidades educacionais, exigindo tratamento e cuidado.
Quase 40% das meninas ficam sem aula por pelo menos um dia mensalmente por motivos menstruais, o que sinaliza a necessidade de políticas escolares que reconheçam a dor como problema coletivo e orientem docentes e equipes.
Desigualdade racial na menstruação
O estudo aponta desigualdades: embora meninas negras relatem menos cólicas intensas, são as que mais faltam por questões menstruais — até 1,5 vez mais dias letivos perdidos que as alunas brancas. Entre negras, 14,5% faltam, contra 9,6% entre brancas.
Brancas relatam maior incidência de cólicas fortes (37,5%) do que negras (25,9%), e 16% das negras dizem não sentir cólicas, frente a 8,5% das brancas. Especialistas apontam subestimação da dor entre negras por questões culturais e de percepção.
Diferenças regionais
A pesquisa aponta variação por região: Norte e Centro-Oeste enfrentam maior carência de infraestrutura e de produtos de higiene. Falta de banheiro e de itens de higiene aparecem como motivos de ausência com 18,9% no Norte e 30,2% no Centro-Oeste.
Acesso a infraestrutura adequada é visto como condição básica para permanência escolar e continuidade do aprendizado, segundo o estudo.
Aumento da menarca precoce
A menarca ocorre cada vez mais cedo no Brasil: em média, 65,2% das meninas menstruaram até os 11 anos e 36,5% até os 10. Nordeste e Sul apresentam os maiores percentuais de menarca precoce. Região Centro-Oeste registra menor incidence.
Entre as alunas negras, a prevalência de menarca precoce é outra variável relevante, com variações regionais destacadas pelo levantamento. A relação entre idade da primeira menstruação e intensidade das cólicas também aparece nos dados.
O estudo reforça que a dor menstrual afeta frequência escolar, concentração e participação de esportes, exigindo que escolas atuem como rede de cuidado para reduzir impactos na aprendizagem. Agência Brasil — informações para o conjunto de dados.
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