- O Ministério Público Federal em Alagoas abriu um procedimento para investigar o uso de verbas da educação para pagar agrotóxicos, peças de tratores e a reforma de uma arena de vaquejada, em duas prefeituras sob a liderança da mesma família.
- As cidades envolvidas são Campo Grande e Olho D’Água Grande, ambas administradas pela família Higino. Teo Higino é prefeito de Campo Grande e Suzy Higino, futura líder de Olho D’Água Grande.
- O caso envolve desvios identificados pela Folha, que totalizam cerca de R$ seis milhões, incluindo gastos com manutenção de carros de construtoras e despesas de transporte escolar, sem obras de educaçãoprováveis.
- A família controla as prefeituras e há vínculos de parentesco com outros cargos municipais; o pai de Arnaldo Higino tem arena de vaquejada particular e há casos anteriores de investigações envolvendo recursos da educação.
- Os procurados não responderam até o momento; a reportagem já solicitava esclarecimentos desde 12 de maio.
O Ministério Público Federal em Alagoas abriu um procedimento para investigar o uso de verbas da educação no pagamento de itens como agrotóxicos, peças de tratores e reforma de arena de vaquejada em duas prefeituras alagoanas, Campo Grande e Olho D’Água Grande. Os recursos vêm do Fundeb, principal mecanismo de financiamento da educação básica.
A investigação apura desvios que somam cerca de 6 milhões de reais. Entre os gastos identificados estão financiamentos de obras sem relação direta com educação, manutenção de carros de empresas contratadas e verbas elevadas para transporte escolar.
O julgamento sobre o que exatamente ocorreu foi iniciado no 10º Ofício da Procuradoria da República em Alagoas, em 3 de junho, após apuração de notas fiscais, extratos do Fundeb e visitas aos municípios. O objetivo é esclarecer a aplicação dos recursos.
As prefeituras investigadas são comandadas pela mesma família. Teo Higino (PSB) é prefeito de Campo Grande pelo segundo mandato, enquanto Suzy Higino (PP) governa Olho D’Água Grande também pelo segundo mandato. O pai, Arnaldo Higino, figura como referência política no grupo.
Ambos os gestores foram procurados pela reportagem, mas não atenderam aos contatos. A Folha informou que solicitou esclarecimentos desde 12 de maio e manteve contato com as cidades sem obter resposta.
A família Higino tem histórico de atuação política prolongada na região. No passado, Arnaldo Higino já foi alvo de investigações por desvio de água e por outros desvios envolvendo educação, saúde e programas de governo. O envolvimento de parentes em cargos municipais é comum no grupo.
O projeto de reforma da arena de vaquejada, financiado com recursos do Fundeb, terminou em março e recebeu prêmios de competição no valor de 380 mil reais. O uso de verbas da educação para esse fim foi um dos pontos centrais da apuração.
Entre as irregularidades apontadas estão gastos com bens de consumo vinculados a construtoras, sem evidência de obras educacionais; além de despesas elevadas com transporte escolar, contrastando com a precariedade de ônibus e a infraestrutura de escolas locais.
Outros parentes da família ocupam posições-chave: Greicy Higino, irmã de Teo, é secretária de Educação de Campo Grande; Mara Higino, esposa de Teo, é vice-prefeita em Olho D’Água Grande. A relação entre cargos e familiares eleva a curiosidade sobre a gestão dos recursos públicos.
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