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Luciano Hang chama universidades federais de guetos da esquerda e provoca reação

Ministra e entidades contestam afirmações de Hang sobre universidades federais, consideradas essenciais para inovação, educação pública e desenvolvimento no RS

Declarações de Luciano Hang sobre universidades federais do RS provocaram reação de ministra, professores e entidades acadêmicas. (Foto: Reprodução/Youtube/Luciano Hang)
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  • Luciano Hang chamou as universidades federais de “guetos da esquerda” durante inauguração de megaloja em Taquara, no Rio Grande do Sul, em trinta de maio, afirmando que o atraso do estado vem dessas instituições.
  • A declaração provocou críticas de governo, entidades estudantis e organizações ligadas ao ensino superior, que ressaltaram a contribuição das federais para formação, pesquisa e desenvolvimento.
  • A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, rebateu dizendo que o acesso ao ensino superior público é investimento no futuro, citando que no Sisu 2026 as federais ofertaram doze mil quatrocentas e setenta vagas no Rio Grande do Sul.
  • Representantes estudantis e docentes também se manifestaram, com Bianca Borges, da União Nacional dos Estudantes, afirmando que as universidades públicas são instrumentos de desenvolvimento e redução de desigualdades; a Sedufsm também emitiu nota de repúdio.
  • Casos anteriores de críticas de Hang às federais incluem 2019, com reações da UFSM, e, em 2020, uma condenação de cinco mil reais por danos morais ao reitor da Unicamp.

Luciano Hang, empresário conhecido como Véio da Havan, causou repercussão ao afirmar que as universidades federais seriam responsáveis pelo atraso do Rio Grande do Sul. O comentário ocorreu durante a inauguração de uma megaloja da Havan em Taquara, no Rio Grande do Sul, no dia 30 de maio. A fala gerou críticas de governo, entidades estudantis e representantes do ensino superior.

Segundo Hang, as federais funcionariam como guetos da esquerda e ajudariam a manter o atraso do estado. Ele afirmou que as instituições formariam pessoas com ideias que, na visão dele, não contribuiriam para o desenvolvimento econômico e social gaúcho. O evento reuniu autoridades locais e empresários.

Reações oficiais

A ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, rebateu as críticas, destacando o papel das federais no desenvolvimento nacional. Ela ressaltou que o acesso público ao ensino superior representa investimento no futuro e citou vagas do Sisu 2026 oferecidas pelas federais no Rio Grande do Sul.

A ministra informou que as federais gaúchas abriram 12.470 vagas no Sisu 2026, assegurando educação pública gratuita para milhares de jovens. Ela afirmou que universidades públicas são base para a inovação no país.

Reações estudantis e docentes

Bianca Borges, presidente da União Nacional dos Estudantes, criticou as declarações do empresário, afirmando que as universidades públicas são instrumentos de desenvolvimento e redução de desigualdades. Entidades docentes também se manifestaram contra as falas de Hang.

A Seção Sindical dos Docentes da Universidade Federal de Santa Maria divulgou nota de repúdio às declarações, afirmando que não tolerará ataques que disseminam desinformação para ganhos políticos e prejudiquem as instituições públicas.

Histórico de declarações de Hang

As críticas às federais não são inéditas. Em 2019, Hang visitou Santa Maria e questionou a atuação da UFSM, sugerindo que a instituição gastava recursos com docentes de esquerda para doutrinação ideológica. A UFSM repudiou as declarações.

Desdobramentos judiciais

Em 2020, o Tribunal de Justiça de São Paulo manteve a condenação de Hang por danos morais contra o reitor da Unicamp, Marcelo Knobel. O processo envolveu uma publicação do empresário em redes sociais com acusações ao reitor.

A decisão determinou o pagamento de indenização de 5 mil reais, reconhecendo violação à honra do reitor. O caso foi citado como precedente de limites à liberdade de expressão em posts públicos.

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