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Golpe universitário prometia vida na Finlândia a estudantes em fuga da guerra.

Agência prometia estudo na Finlândia a refugiados birmanes; cada estudante pagou cerca de €10 mil, muitos tiveram visto negado e ficaram endividados, fundadora presa

Finnish authorities are investigating an agency which had offered to help some 350 Burmese students enrol in vocational schools across Finland
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  • Estudantes birmaneses em Mae Sot foram atraídos por promessas de estudo na Finlândia via agência Brighter Future Way (BFW), pagando cerca de 10 mil euros cada para cursos de finlandês, vaga em escola profissional e visto de residência.
  • Ma Naw Phaw, de 19 anos, viajou com a ideia de obter diploma para conseguir emprego e ajudar a família, mas teve o visto negado e não houve devolução do dinheiro; a coordenadora da agência ficou preso na Finlândia.
  • A Finlândia abriu investigação de grande escala sobre a agência de intermediação que prometia vagas em escolas profissionais para cerca de 350 estudantes birmaneses entre 2022 e 2025; vítimas ficaram endividadas.
  • EduSavo Oy, instituição de ensino profissional na Finlândia, cancelou parceria com a BFW após não receber pagamentos e informar que Min Min Soe Shwe estava detida por autoridades finlandesas.
  • A polícia finlandesa e o ministério da Educação afirmaram estar acompanhando o caso; mudanças legais programadas para agosto permitirão que estudantes internacionais se inscrevam diretamente em escolas técnicas, reduzindo o papel de intermediários.

Ma Naw Phaw, de 19 anos, teve a oportunidade de estudar em uma escola profissional na Finlândia após fugir da guerra em Myanmar. Ela contou que precisava de um diploma para conseguir um bom emprego e sustentar a família, morando em Mae Sot, na fronteira da Tailândia.

A jovem, que estudava no ensino médio quando o golpe de 2021 atingiu a educação, participou de um programa oferecido por uma agência que prometia vaga na Finlândia. Ela pagou cerca de 10 mil euros a uma organização chamada Brighter Future Way (BFW).

Entretanto, o sonho desabou em abril, quando o visto de residência foi negado pela Finlândia. A BFW havia dito que o processo seria simples, e a família não conseguiu contato com a agência após o atraso.

A BBC apurou que, segundo familiares e estudantes, a agência recebia cerca de 10 mil euros por aluno, com 8 mil destinados para o aprendizado de finlandês e 2 mil para taxas de visto. Seis alunos relataram adiantamentos de etapas, sem obtenção de visto.

Min Min Soe Shwe é apontada como fundadora da BFW; ela foi detida pela polícia finlandesa. Phitak Pakay, cofundador e baseado na Tailândia, declarou à BBC que a empresa já perdeu contato com a acusada e que pode encerrar as atividades, segundo informações recebidas.

EduSavo Oy, instituição de ensino profissional em Iisalmi, estava prevista para receber a primeira turma via programa encomendado pela BFW no outono. Em maio, não havia pagamentos de mensalidade e o acordo foi cancelado, conforme a CEO Mira Repo.

A Finlândia divulgou uma investigação de grande escala sobre a agência de recrutamento estudantil que prometia vagas para cerca de 350 estudantes birmianos entre 2022 e 2025. O caso pode envolver extorsão agravada, segundo autoridades.

A autoridade de ensino finlandesa afirmou que não participa da investigação, mas que acompanha o tema. Novas leis, que entram em vigor em agosto, vão permitir que estudantes internacionais se candidatem diretamente às escolas de formação profissional, sem intermediários.

Entre as vítimas, cinco tiveram a residência negada por comprovante financeiro insuficiente ou documentação atrasada. A BBC ouviu relatos de que algumas famílias tiveram que arcar com dívidas para pagar as promessas feitas pela agência.

Ma Naw Phaw disse que não recebeu reembolso após o bloqueio do programa e que a equipe da BFW ensinava finlandês entre os próprios estudantes, sem docentes formais. Ela também indicou que precisou buscar outra cidade na Tailândia para seguir adiante.

Ko Myint, 21 anos, afirma ter adiantado recursos dos pais para o programa de 2024 e relata que ficou sem parte do dinheiro após a cobrança de mensalidades adicionais de acomodação. Ele deixou o curso antes do visto, permanecendo destabilizado pela dívida.

O caso expõe riscos de intermediários no recrutamento internacional de estudantes, prática comum em diversos países, e reforça cautela de famílias que buscam oportunidades no exterior. A vigência de novas regras busca reduzir dependência de agentes.

Fontes da educação destacaram que, embora haja relatos de fraudes, a Finlândia continuará a oferecer opções de estudo no exterior com controles mais rígidos, visando transparência nas propostas de visto e matrículas.

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