Em Alta Copa do Mundo NotíciasPessoasAcontecimentos internacionaisPolíticaConflitos

Converse com o Telinha

Telinha
Oi! Posso responder perguntas apenas com base nesta matéria. O que você quer saber?

Estudo da USP liga reforma escolar paulista à informalidade no mercado de trabalho

Estudo da USP associa reforma do ensino médio de São Paulo à precarização da juventude trabalhadora e à expansão da informalidade no mercado

Photo
0:00
Carregando...
0:00
  • A USP aponta que o Inova Educação substituiu disciplinas tradicionais por conteúdos corporativos e empreendedorismo no Novo Ensino Médio, visando a inserção imediata no mercado de trabalho.
  • Disciplinas como sociologia, ciências e literatura foram reduzidas, enquanto eletivas com patrocínio privado–incluindo pela empresa iFood–foram usadas, segundo o pesquisador Felipe Alencar.
  • Dados do IBGE (PNADC, 2026) indicam alta informalidade entre jovens no Brasil (40%), chegando a 60% nas regiões Norte e Nordeste, com renda média real de R$ 3.732.
  • O estudo sustenta que há indicação de “pejotização” e de foco no Projeto de Vida para redes corporativas, preparando alunos mais para vagas precarizadas do que para a universidade.
  • Do ponto de vista institucional, passaram a vigorar normas como a Deliberação do Conselho Estadual de Educação (CEE) nº 236/2025 e a Resolução da SEDUC nº 156/2025, com ajustes no tempo de aula, Itinerários e ensino médio noturno.

Com o programa Inova Educação, o governo de São Paulo introduziu conteúdos corporativos e empreendedorismo no ensino médio da rede estadual. A pesquisa, fruto de um mestrado na USP, analisa impactos do programa lançado em 2019 pelo governo de João Doria e aponta caminhos de precarização no Novo Ensino Médio.

O estudo, defendido em 2023 pela pesquisadora Felipe Alencar sob orientação de Carmen Vidigal Moraes, foi transformado no livro EscolaS que resistem: a educação pública contra o autoritarismo empresarial, lançado em 2026 pela Editora Lutas Anticapital. A obra reúne 27 meses de observação em escolas públicas.

Contexto da reforma

Segundo o pesquisador, o Inova Educação substituiu disciplinas tradicionais por Projetos de Vida, Tecnologia e Eletivas, com conteúdos patrocinados por empresas, entre elas o iFood. Alencar destaca que o foco estava em moldar estudantes para o mercado de trabalho, sem enfatizar vestibular ou formação universitária.

A gestão da época, segundo o autor, defendia que o ensino médio deveria realizar o sonho do aluno ao inserir jovens no mercado de trabalho, e não prepará-los para avaliações universitárias. Alega-se que essas escolhas reduziram a presença de disciplinas como ciências, sociologia e literatura.

Dinâmica institucional e participação

Durante o segundo semestre de 2019, ocorreu o movimento Movimento Inova, na Efape, com Doria presente e participação de representantes de instituições privadas. O pesquisador descreve esse momento como participacionismo, em que a participação pública seria simbólica e serviria para legitimar a atuação de tecnocratas.

Relatos de palestrantes indicam a defesa de conteúdos como coaching, empreendedorismo e gamificação, com pouca ênfase em biblioteca ou materiais variados. A leitura de Alencar sugere uma priorização de conteúdos voltados ao empreendedorismo em detrimento de formação abrangente.

Dados da informalidade e impactos no mercado

Estudo cita dados da PNADC, divulgados pelo IBGE em 2026, mostrando que ao menos 40% dos jovens brasileiros trabalham na informalidade, chegando a 60% no Norte e Nordeste. A renda média real permanece estagnada, em torno de R$ 3.732.

Para Alencar, a paridade entre congelamento de renda e fragilização de garantias sociais facilita a reforma curricular. A prática de hires por meio de pessoas jurídicas, sem direitos trabalhistas, é associada ao que ele chama de pejotização, relacionada ao conteúdo de Projeto de Vida nas escolas.

Desdobramentos nas escolas e na prática docente

A reforma levou à desidratação de disciplinas centrais, com desempenho mais baixo de docentes na oferta de novas áreas. Em 2022, quase 20 mil aulas ficaram sem professor no primeiro semestre, número que quase dobrou no segundo, segundo o pesquisador, que cita breve resposta original da gestão estadual sobre a crise.

No âmbito federal, o estudo aponta que profissionais da educação, diante do sucateamento, aceitavam partes da reforma por cansaço ou necessidade, em vez de resistência. A pesquisa também destaca a pressão de estudantes e professores para revisar diretrizes nacionais do Ensino Médio.

Mudanças normativas e organização atual

A configuração atual da rede pública paulista está alinhada às diretrizes nacionais, com a Deliberação CEE 236/2025 e a Resolução SEDUC 156/2025. Estabelece-se oferta de pelo menos dois Itinerários, com formação técnica e áreas do conhecimento, além de manter os conteúdos do Inova Educação.

As normas também definem tempo de aula de 50 minutos, maior foco em Matemática e Português no 9º ano e na 3ª série do ensino médio, e regras de qualificação para disciplinas específicas. O modelo do Ensino Médio Noturno permite flexibilização de até 30% da carga horária via plataformas digitais com mediação presencial.

Comentários 0

Entre na conversa da comunidade

Os comentários não representam a opinião do Portal Tela; a responsabilidade é do autor da mensagem. Conecte-se para comentar

Veja Mais