- O calor extremo levou ao fechamento de escolas em Delhi e em cerca de metade dos estados da Índia, de midia de maio até o fim de junho, com o retorno ainda incerto.
- Mulheres que trabalham ficam entre ficar em casa para cuidar das crianças com aulas online e manter empregos, o que já provocou mudanças na renda familiar.
- Casos em Noida e Nai Basti mostram famílias gastando mais com aluguel, reduzindo compras de comida e contratando cuidadores para monitorar os estudos das crianças.
- Economistas dizem que a interrupção concentra-se nas mulheres, elevando pobreza e desigualdades, já que muitas têm empregos precários ou precisam abandonar o trabalho.
- Autoridades defendem os fechamentos como medida de emergência pela segurança, embora reconheçam limitações de infraestrutura para enfrentar o calor sem prejudicar a educação.
O calor extremo que afeta a Índia continua levando escolas a fecharem por semanas, o que pressiona famílias e, principalmente, mães que precisam conciliar trabalho e cuidado com os filhos. Nas cidades de Delhi e região, termômetros acima de 41°C se repetem, enquanto as aulas migram para o online.
Em Noida, nos arredores de Delhi, Sakshi Katyal corre contra o tempo para ajudar a filha de cinco anos a acompanhar as atividades virtuais. O apartamento sofre com o calor; a mãe deixou o emprego anterior para facilitar a rotina, recebendo apenas um único salário para sustentar a casa.
As escolas foram fechadas de meados de maio até o fim de junho em diversos estados, com o início das férias de verão em muitos lugares. A confirmação oficial de recuos temporários varia, mas autoridades locais já sinalizam a extensão das interrupções em função das altas temperaturas.
Impacto nas famílias
Katyal e o marido mudaram-se para Noida em 2025 para ficar mais perto da escola da filha, buscando reduzir o peso da logística familiar. Ela relata que, no ano anterior, chegou a ter um emprego estável e até comprar um apartamento, o que trouxe sensação de segurança.
Em fevereiro, exausta com a sobrecarga, Katyal pediu demissão. A família depende de um único salário e continua pagando o financiamento do imóvel, com despesas mensais significativas. A menina fica em casa durante as paralisações das aulas.
Poucas ruas adiantam: Zeenat Khatoon, de 24 anos, vive em Nai Basti, Delhi, com dois filhos e trabalha como trabalhadora doméstica. A filha de sete anos está sem aula por meses, e a mãe precisa pagar alguém para supervisionar as crianças em meio ao calor intenso.
Khatoon informa que a mulher reduz gastos para manter as crianças estudando, chegando a pagar por monitoramento e ajuda com os estudos. Caso não haja escolas abertas, declara não saber como manter o ensino dos filhos sem interromper o trabalho.
Outra mãe, Surbi Devi, de 42 anos, vive com o filho com deficiência em Saket. Ela relata perda de quase um mês de renda no verão anterior devido às interrupções escolares. Questionamentos sobre a política pública surgem entre quem depende do trabalho informal para sustento diário.
Economistas destacam consequências econômicas em cadeia. Segundo eles, a maioria das mulheres é obrigada a ficar em casa ou migrar para empregos precários para cuidar das crianças, reduzindo a renda familiar e elevando o risco de pobreza.
Especialistas em saúde pública observam que políticas climáticas indianas costumam deixar de lado o peso específico sobre as mulheres. Dados desagregados por gênero não costumam orientar ajustes em planos de ação contra calor e poluição.
Para autoridades, as escolas mantêm ações emergenciais durante ondas de calor, justificando fechamentos como medida de proteção. Contudo, defensores apontam que a falta de infraestrutura escolar para temperaturas extremas agrava o problema.
A situação expõe falhas no sistema de cuidado infantil, com profissionais de setores essenciais enfrentando dificuldades para manter turnos estáveis. Crianças perdem meses de educação, o que pode afetar o desempenho futuro.
Especialistas reforçam a necessidade de planejamento que leve em conta a vulnerabilidade de mulheres, trabalhadores informais e famílias de baixa renda. Sem esse ajuste, a crise climática tende a ampliar desigualdades econômicas e educacionais.
No diagnóstico de profissionais da área, a interrupção regular das aulas impulsiona mudanças de carreira entre mães, com impactos diretos na produtividade de setores como saúde e serviços. A agenda climática precisa incorporar proteção às trabalhadoras que costumam carregar o peso dos cuidados.
Noida, Okhla e Delhi exemplificam uma realidade ampla: famílias confrontam escolhas difíceis entre alimentar, pagar aluguel ou manter as crianças na escola. A crise climática reconfigura rotinas, trabalhos e possibilidades para milhões de mães no país.
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