- Blumenau rompe contratos de vigilância, limpeza e zeladoria com o grupo Orcali em escolas e creches, devido a investigações do Gaeco sobre indícios de corrupção.
- Os acordos somavam mais de R$ 75 milhões e previam 152 vigilantes armados em 46 escolas e 82 centros de educação infantil; encerramento previsto até o fim do mês.
- Orcali teria recebido informações sigilosas sobre valores de concorrentes para vencer contratos; a operação Sentinela investiga direcionamento de licitações e possível propina.
- A Secretaria de Gestão Governamental passa a ser Secretaria de Segurança Pública para coordenar a proteção nas unidades de ensino; Alexandre de Vargas será o novo secretário.
- Modelo de segurança passa a prever vigilância própria do município, muralha digital com câmeras e leitura de placas, com testes no segundo semestre e sem interrupção dos serviços durante a transição.
A prefeitura de Blumenau (SC) rompeu todos os contratos com o grupo Orcali, que cuidava de vigilância, limpeza e zeladoria em escolas e creches municipais. A decisão ocorre no contexto de investigações do Gaeco sobre indícios de corrupção na contratação dos serviços. A medida já está em vigor e será concluída até o fim do mês.
Os acordos somam mais de R$ 75 milhões e abrangem 152 vigilantes armados em 46 escolas e 82 centros educacionais. O prefeito Egídio Ferrari (PL) informou que a Orcali receberá notificação para desmobilizar equipes e encerrar as atividades nas unidades de ensino.
O pacote envolve contratos de segurança, limpeza e zeladoria, com valores de aproximadamente R$ 23 milhões, R$ 14 milhões e R$ 38 milhões, respectivamente. A decisão foi tomada após revisão interna ligada à operação Sentinela, visando transparência na aplicação de recursos públicos.
A Orcali afirmou que acompanha os desdobramentos da operação e que mantém o respeito às instituições, cooperando dentro dos limites legais. A empresa garantiu continuidade das atividades enquanto o processo ocorre.
Nova estrutura de segurança em Blumenau
Dias após o rompimento, a prefeitura criou a Secretaria de Segurança Pública, responsável pela proteção nas unidades de ensino. A pasta passa a coordenar a transição para uma guarda municipal armada e a chamada muralha digital.
O novo titular é Alexandre de Vargas, policial civil com experiência em crises e licitações. O objetivo é aplicar protocolos rigorosos de segurança e assegurar a transição com controle, sem custos adicionais ao município.
A prefeitura planeja substituir vigilantes por agentes vinculados ao município, iniciando seleção de aprovados em processo público. Durante o treinamento, profissionais remanescentes farão remanejamento temporário para evitar descontinuidade.
Muralha digital e monitoramento
Segundo a gestão, a vigilância será fortalecida com câmeras de reconhecimento facial e leitura de placas em pontos estratégicos, com monitoramento pelo Centro de Controle Operacional. Serão 44 pontos de vigilância externa e o monitoramento estendido às áreas próximas às escolas.
Nas 132 unidades da rede, o sistema prevê câmeras internas, controle de acesso, botões de pânico e recursos sonoros para alertas. A ideia é reduzir riscos e permitir resposta rápida das forças de segurança.
O contrato com a Orcali vigora até sexta-feira (26). O modelo de vigilância própria deve iniciar testes no segundo semestre, com o retorno das aulas. A operação Sentinela continua para apurar possíveis irregularidades em licitações do setor.
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