- Em 1953, a Tate recebeu uma oferta de um retrato autodefinido de Van Gogh, por £19.500, mas o quadro ficou fora dos recursos dos trustees.
- O retrato, supostamente pintado na Provença em 1888–89, apareceu pela primeira vez em 1927 na galeria de Otto Wacker, que foi julgado por fraude em 1932.
- Teve apoiadores entre especialistas e colecionadores, incluindo o historiador H. P. Bremmer e Helene Kröller-Müller, e integrou o catálogo de de la Faille em 1939 como autêntico.
- Depois de ser recusada pela Tate, o retrato desapareceu em circunstâncias desconhecidas; a identidade da mulher londrina que o ofereceu também não é conhecida, e o quadro é hoje considerado duvidoso ou falso por muitos especialistas.
- A história reforça como os preços de Van Gogh aumentaram desde então, com obras chegando a valores elevados em leilões recentes.
O Tate Barou em 1953 a chance de ampliar seu acervo com um retrato de Van Gogh, alegadamente pintado em Provence entre 1888 e 1889. A oferta chegou de uma mulher londrina e o valor pedido ficou em £19.500, acima de tudo que já tinha sido pago por um Van Gogh até então. A direção avaliou que o custo seria incompatível com os recursos disponíveis.
O diretor da Tate Gallery, John Rothenstein, respondeu que o quadro estaria além das possibilidades dos conselheiros. A proposta foi recusada e, desde então, o retrato desapareceu dos registros. A história revela uma cadeia de dúvidas sobre a autenticidade e a procedência da obra.
Proveniência e contorno histórico
A obra teria aparecido pela primeira vez em 1927, na galeria berlinense de Otto Wacker, que tentou vender mais de 30 pinturas atribuídas a Van Gogh por meio de um testemunho de um aristocrata russo. Embora alguns especialistas tenham aceit ado a procedência, outros contestaram as peças como falsas. Wacker foi julgado e considerado fraudador em 1932.
Pelo menos parte dessas obras passou pela Matthiesen, em Berlim, incluindo o retrato em questão. Havia defensores de sua autenticidade, entre eles o historiador holandês H. P. Bremmer e o colecionador Helene Kröller-Müller, que tentou comprar o retrato para seu museu, sem sucesso devido a impasses de preço.
Repercussões e desdobramentos
Em 1939, a obra foi citada como autêntica no catálogo raisonné de Van Gogh, elaborado por Jacob-Baart de la Faille, o que favoreceu a crença na autenticidade. O quadro foi atribuído a estar sob posse de Sam van Deventer, conselheiro de Kröller-Müller, que viria a dirigir o museu após sua morte.
Durante a Segunda Guerra, Van Deventer colaborou com os ocupantes nazistas; em 1945 foi suspenso, e quatro anos depois acusado de fraude. Ele morreu em 1972. O paradeiro do retrato londrino tornou-se desconhecido após ser recusado pelo Tate e ter saído da coleção de Deventer em circunstâncias não esclarecidas.
Situação atual e lições
A identidade da mulher de Londres que ofereceu o retrato à Tate em 1953 permanece desconhecida, com o nome redigido nos arquivos. A peça é hoje vista por especialistas como não sendo uma Van Gogh autêntica, e acredita-se que esteja em algum lugar na Alemanha. A venda de Van Gogh atingiu patamares muito mais altos nos anos recentes, como registros de leilões de dezenas de milhões.
Além do caso, destacam-se novas exposições e publicações sobre Van Gogh. A Tate e museus ao redor do mundo continuam a examinar a autenticidade de obras atribuídas ao artista, destacando a importância de documentação de proveniência robusta.
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