- O NHS está limitando o número de avaliações para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade para economizar recursos, sem avisar médicos de família ou pacientes.
- Em Inglaterra, mais da metade dos 42 conselhos de cuidado integrado impôs limites para 2025/26; entre os 22 que adotaram medidas, 13 não informaram os GPs e 12 não avisaram os pacientes.
- A ADHD UK aponta que a falta de comunicação evidencia cortes amplos no acesso a avaliação, que já enfrenta longas esperas.
- Pacientes podem enfrentar atrasos ainda maiores, com relatos de esperas de até oito anos para marcar uma avaliação de ADHD.
- O conselho de North Central London informou ter criado planos de atividade indicativos que limitam atendimentos pagos para ADHD e autismo, não comunicando GPs nem pacientes; havia 8.583 pessoas na espera de ADHD e 1.306 para autismo.
O NHS (Sistema de Saúde Nacional) está limitando a oferta de avaliações para transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) para economizar recursos. A medida não tem sido comunicada de forma ampla a médicos de família nem aos pacientes, ainda que a demanda pelo serviço esteja em alta.
Mais da metade das 42 boards de cuidado integrado (ICBs) na Inglaterra informou ter imposto limites no número de avaliações de TDAH em 2025/26. Entre as 22 respondentes, 13 não avisaram os médicos de família e 12 não comunicaram aos pacientes na espera por avaliação.
A organização ADHD UK, que coletou os dados, afirma que a falta de comunicação indica tentativas de encobrir cortes considerados controversos. A entidade também aponta que tempos de espera já são longos, o que pode piorar com as restrições.
Para leitores, o atraso pode chegar a anos. Adultos e crianças aguardam consultas em diversas regiões, com casos de até oito anos. Reduções no acesso devem ampliar esse tempo de espera, segundo a ONG.
O relatório da task force do governo sobre TDAH alertou que a ausência de avaliação pode prejudicar a vida escolar e profissional, além de gerar custos sociais significativos. A entidade estima custos anuais de cerca de 17 bilhões de libras relacionados a crimes, baixo desempenho educacional, uso de drogas, suicídio e doença mental.
A necessidade de avaliação é destacada por profissionais e familiares, que buscam diagnóstico para iniciar tratamento adequado. Médicos de família desejam clareza sobre quem será avaliado e quando, para orientar o cuidado aos pacientes.
Caso de North Central London ICB
A North Central London ICB confirmou, via resposta FoI, a adoção de planos de atividade indicativos (IAPs) que limitam o número de atendimentos pagos para TDAH e autismo. A organização realizou avaliação de impacto, mas não informou médicos de família nem pacientes sobre a mudança.
No total, 8.583 pessoas nos cinco boroughs cobertos estavam na fila de avaliação de TDAH, e 1.306 aguardavam por autismo, na data de resposta, em outubro.
Entre na conversa da comunidade