- O pesquisador Graham Johnson disse ter pago mais de £100.000 a pessoas envolvidas no caso contra a Daily Mail, no High Court.
- O pagamento incluiu £75.000 a Gavin Burrows e pagamentos a outros investigadores, ex-jornalistas e colaboradores para trabalhos relacionados a uma memória e a investigação de atividades ilegais na imprensa.
- Johnson afirma que os pagamentos tinham finalidade jornalística e para chamar a atenção sobre comportamentos ilegais na mídia; ele nega ter pago por testemunhos.
- O financiamento dos pagamentos veio principalmente de Max Mosley ou de uma empresa ligada ao espólio dele; parte foi financiada por um empréstimo de Evan Harris.
- A Associated Newspapers Ltd. nega as acusações de coleta de informações ilegais e descreve as alegações como infundadas; o caso envolve figuras como Prince Harry e tramita no High Court.
A pesquisa sobre irregularidades na mídia levou pagamentos a investigadores e ex-jornalistas para testemunhares sobre atividades alegadamente ilegais da editora do Daily Mail. O testemunho ocorreu no High Court, no Reino Unido. Graham Johnson, ex-hacker de telefones e hoje pesquisador, confirmou ter remunerado seis envolvidos no caso movido por Prince Harry e outros contra Associated Newspapers Ltd (ANL). Johnson afirma ter pago apenas por motivos jornalísticos, não pela obtenção de testemunho.
Ele informou que a maior parte do financiamento saiu de Max Mosley, falecido empresário e defensor da privacidade, ou de uma empresa ligada ao espólio de Mosley. Parte dos recursos veio de um empréstimo de Evan Harris, ex-deputado e membro do grupo Hacked Off. Entre os pagamentos, destacou-se 75 mil libras a Gavin Burrows, investigador privado com acusações de telefonemas, grampos e intrusão reveladas após o caso.
ANL nega todas as acusações de coleta de informações de forma ilegal movidas pelos autores da ação, que incluem Prince Harry, Doreen Lawrence, Elton John e outros. A editora sustenta que as matérias foram apuradas por meio de reportagens legítimas, sem uso de informações obtidas irregularmente. Johnson confirma ter pago mais de 100 mil libras a pessoas envolvidas nas alegações.
Entre os pagamentos listados, Mulcaire e Miskiw, hackers condenados, receberam 22 mil e 12 mil libras, respectivamente, entre 2015 e 2016. Johnson também mostrou um e-mail que sugere tentativa de aumentar o desempenho de Mulcaire. Outras contratações incluem Steve Whittamore, com 5 mil libras de um contrato de 15 mil em 2021, e Portley-Hanks, pagas 6 mil libras por trabalho de livro.
Envolvidos e alegações
A defesa de ANL acusa Johnson de ter criado um padrão de pagamentos para conseguir evidências contra a empresa. O advogado Antony White argumenta que as supostas transações constituem uma estratégia para obter provas potencialmente úteis contra a editora. Johnson nega veementemente que o dinheiro fosse utilizado para financiar testemunhos, dizendo que os pagamentos tinham finalidade jornalística e estavam embasados em aconselhamento legal.
Johnson afirmou que escreveu várias matérias sobre o grupo, participou de entrevistas para a BBC e em Panorama, e que buscou reacender a discussão pública sobre o tema. A ação segue em curso, com defesa e alegações a serem aprofundadas no tribunal.
Entre na conversa da comunidade