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Portal Tela: por que eu não aceito a polarização como espetáculo

Um manifesto por pontes, não por trincheiras e por um debate público pautado no respeito e na responsabilidade.

Valores familiares, de boa convivência e de cuidado com o próximo estão no centro de uma sociedade saudável e eficiente. Imagem: portal Tela.

Eu acredito no Carnaval, acredito na alegria, na criatividade, na potência cultural e na capacidade que a festa tem de reunir gente diferente no mesmo espaço, ainda que por alguns dias. Mas eu não acredito, nunca acreditei, que a melhor forma de “expressar” qualquer coisa seja agredir. No domingo, 15, a Acadêmicos de Niterói levou […]

Eu acredito no Carnaval, acredito na alegria, na criatividade, na potência cultural e na capacidade que a festa tem de reunir gente diferente no mesmo espaço, ainda que por alguns dias. Mas eu não acredito, nunca acreditei, que a melhor forma de “expressar” qualquer coisa seja agredir.

No domingo, 15, a Acadêmicos de Niterói levou para a avenida uma alegoria que colocou a chamada “família tradicional” – um casal heterossexual com filhos – dentro de uma lata de conserva. Na mesma composição, surgiram figuras associadas a evangélicos, militares e mulheres brancas. Eu não tenho dificuldade em entender o argumento de quem diz que Carnaval é crítica, sátira, provocação. O ponto é outro: quando a sátira escolhe mirar pessoas e grupos inteiros, ela deixa de ser crítica e vira apenas um recurso barato para produzir aplauso fácil, engajamento instantâneo e, principalmente, polarização.

E eu decidi montar o Portal Tela justamente contra esse tipo de agressão desnecessária.

De tempos em tempos, alguém tenta enquadrar qualquer discordância como “lado”: direita ou esquerda, conservador ou progressista, moderno ou atrasado. Eu não compro essa armadilha.

O que eu tenho,  e faço questão de declarar, são valores inegociáveis: valores familiares, valores de boa convivência, valores que prezam pelo bem dos outros. Eu não acredito que seja sinal de inteligência transformar o outro em caricatura. Eu não acredito que seja avanço social ridicularizar símbolos que são sagrados para milhões de pessoas. Eu não acredito que o Brasil precise de mais combustível para brigar. Precisa de pontes, precisa de respeito, precisa de um mínimo de generosidade.

É por isso que o Tela existe: para fazer conteúdo com coragem, sim, mas sem perder o senso de responsabilidade. Para falar do mundo real, sim, mas sem a lógica de “atacar para vencer”. Para defender uma convivência possível, mesmo quando as diferenças são profundas.

A agressão virou estratégia. E eu me recuso a aplaudir.

O que está acontecendo com a nossa vida pública é simples de descrever: a provocação passou a ser uma forma de governar emoções. Funciona assim: você reduz um grupo a um rótulo, cutuca a ferida, ganha barulho, transforma reação em prova, e mantém todo mundo preso no ringue.

Só que isso não melhora a sociedade. Isso adoece a sociedade.

Quando se coloca uma família “em conserva” na avenida, a mensagem que fica para muita gente não é “vamos refletir”. A mensagem é: “vocês são motivo de deboche”. E isso não aproxima ninguém. Isso não educa ninguém. Isso só faz a roda girar do jeito que ela tem girado: cada um mais certo de que o outro é inimigo.

O que eu escolho lançar no mundo

Eu aprendi, e reafirmo todos os dias, que palavras não são decoração. Palavras criam ambiente. Palavras criam futuro. Palavras podem curar ou ferir.

Por isso, eu faço questão de repetir uma convicção que guia minha vida e que também guia o Portal Tela:

“Palavras têm poder, então fale coisas boas sobre a sua vida. Profetize bênçãos, declare o bem, chame para perto aquilo que você quer viver. Diga que vai dar certo, que portas vão se abrir, que a paz, o amor e a prosperidade vão te encontrar. Agradeça até pelo que ainda não aconteceu, como se já fosse seu. Porque tudo o que a gente fala com fé e lança no mundo volta pra gente, e volta multiplicado”.

Isso não é ingenuidade. Isso é uma decisão. É escolher construir em vez de incendiar. É escolher coragem sem crueldade. É escolher firmeza sem humilhação.

Eu não sou contra o Carnaval. Eu sou contra a desnecessidade de certas manifestações, aquelas que não têm outro propósito senão atingir e provocar, como se a agressão fosse uma forma legítima de entretenimento.

O Portal Tela seguirá na contramão disso. Não porque somos “melhores” do que ninguém, mas porque entendemos que o preço da polarização é alto demais: famílias divididas, amizades destruídas, gente vivendo em alerta, todo mundo desconfiando de todo mundo.

No fim, o que fica não é o meme, não é o aplauso do momento, não é o vídeo viral. O que fica é o que a gente plantou: as sementes que depositamos. E eu escolho depositar sementes de paz, respeito, convivência e bem.

Luis Felipe Silveira
CEO da 2FUTURE | Fundador do Portal Tela

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