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Metade dos feminicídios no Brasil ocorre em cidades com até 100 mil habitantes

Metade dos feminicídios de 2024 ocorreu em cidades de até 100 mil habitantes, evidenciando falhas de proteção e infraestrutura pública

Mulheres protestam contra feminicídios, no centro de Brasília — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
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  • Em 2024, foram registrados 1.492 feminicídios no Brasil, equivalentes a quatro assassinatos de mulheres por dia.
  • Metade dos casos ocorreu em cidades com até 100 mil habitantes, totalizando 746 ocorrências.
  • Municípios muito pequenos tiveram maior peso relativo: até 20 mil habitantes concentraram 19,6% dos feminicídios; de 20 mil a 50 mil, 19,7%.
  • A pesquisa aponta ausência de infraestrutura de proteção fora dos grandes centros: apenas 27,1% dos municípios de pequeno porte tinham ao menos um serviço da rede especializada.
  • O estudo descreve a “rota crítica” pela qual a vítima tenta buscar ajuda, envolvendo deslocamentos, relatos repetidos e demora na concessão de medidas protetivas.

Em 2024, o Brasil registrou 1.492 feminicídios, o equivalente a quatro acusações fatais contra mulheres por dia. A informação é da pesquisa Retrato dos Feminicídios no Brasil, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

Metade dos casos ocorreu em cidades com até 100 mil habitantes, mantendo 746 registros nesses municípios. Esses locais concentram 41% da população feminina do país segundo o estudo. A tendência mostra violência letal maior onde há menos proteção estrutural.

A diretora-executiva do FBSP, Samira Bueno, atribui a concentração à ausência de infraestrutura especializada, barreiras geográficas e pressões sociais típicas de comunidades pequenas.

Vacância institucional no interior

A pesquisa aponta que apenas 27,1% dos municípios de pequeno porte possuem pelo menos um serviço da rede especializada de atendimento, o que significa que mais de 70% não contam com equipamentos para acolher mulheres em situação de violência.

Segundo o FBSP, a Lei Maria da Penha não se traduz em proteção efetiva no interior, onde faltam Delegacias de Defesa da Mulher e casas-abrigo. A desigualdade territorial é evidente na oferta de serviços.

O estudo ressalta ainda que a desproteção nesses municípios se soma a fatores como deslocamentos para buscar atendimento e demora na concessão de medidas protetivas, alimentando a chamada rota crítica de desistência.

Perfil das vítimas e padrões de violência

Entre 2021 e 2024, 5.729 feminicídios foram registrados. Em 62,6% das mortes, as vítimas eram negras; 36,8% eram brancas. A faixa de 30 a 49 anos representou metade das vítimas.

A maioria dos feminicídios ocorreu contra mulheres mortas por parceiros ou ex-parceiros, somando 80,7% dos casos, sempre por homens em 97,3% das ocorrências. Armas brancas e de fogo foram os meios mais comuns.

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