No próximo domingo (15), o público vai conhecer o vencedor de Melhor Filme da 98ª edição do Oscar, a principal premiação do cinema mundial. Entre os indicados está Pecadores, dirigido por Ryan Coogler. O filme é o maior indicado desta edição, com 16 nomeações. A força da produção dentro da Academia se explica, sobretudo, pela […]
No próximo domingo (15), o público vai conhecer o vencedor de Melhor Filme da 98ª edição do Oscar, a principal premiação do cinema mundial. Entre os indicados está Pecadores, dirigido por Ryan Coogler.
O filme é o maior indicado desta edição, com 16 nomeações. A força da produção dentro da Academia se explica, sobretudo, pela direção de arte pensada para contar a história e pela montagem, que sustenta a mudança de tons narrativos sem perder a fluidez.
Qual é o enredo de Pecadores?
O filme, cujo título original é Sinners, é um terror sobrenatural ambientado no Mississippi, no sul dos Estados Unidos, durante a década de 1930.
A história acompanha os irmãos gêmeos Smoke e Stack, ambos interpretados por Michael B. Jordan, ex-soldados da Primeira Guerra Mundial e ex-criminosos ligados ao contrabando em Chicago, que voltam ao Mississippi para recomeçar a vida.
Com o dinheiro que trouxeram, os dois decidem abrir um juke joint, nome dado aos bares populares do sul dos Estados Unidos frequentados pela população negra, com música, dança, bebida e apresentações de blues.
Mas a noite de inauguração foge do controle quando o local passa a ser cercado por vampiros.
O que torna a trama ainda mais rica é que o filme não se limita a uma história de vampiros ou sustos, mas constrói uma narrativa que mistura drama histórico, música, espiritualidade e horror para abordar a experiência negra no sul dos Estados Unidos.
Por isso, Pecadores avança em duas frentes ao mesmo tempo: de um lado, acompanha a tentativa dos irmãos de reconstruir a própria vida; de outro, transforma esse retorno em uma batalha simbólica contra forças antigas, violentas e estruturais.
Quem faz parte do filme?
O longa é dirigido por Ryan Coogler, cineasta americano conhecido por abordar, em produções de grande orçamento, temas ligados à identidade negra, à desigualdade e à história dos Estados Unidos.
Seu primeiro longa foi Fruitvale Station (2013), seguido por Creed (2015) e Pantera Negra (2018). O filme da Marvel venceu três Oscars em 2019 e entrou para a história como o primeiro longa de super-herói indicado ao prêmio de Melhor Filme.
Outro grande nome do filme é Michael B. Jordan, protagonista da produção, que interpreta dois personagens, algo pouco comum nas grandes telas.
Nascido em Santa Ana, na Califórnia, Michael B. Jordan tem uma forte parceria com o diretor Ryan Coogler e esteve no elenco de todos os filmes do cineasta até aqui.
Seu primeiro papel de destaque foi na série dramática A Escuta (2002), na qual participou da primeira temporada interpretando o personagem Wallace.
No cinema, seu primeiro grande papel foi justamente em Fruitvale Station, filme que também marcou a estreia de Ryan Coogler nas grandes telas.
Em 2023, Jordan estreou como diretor em Creed III, filme no qual também atuou como protagonista e produtor.
Até agora, o ator não conquistou nenhuma estatueta do Oscar, mas, por Pecadores, já venceu o Critics Choice Super Awards de Melhor Ator em Filme de Terror e o Actor Awards de Melhor Ator em Papel Principal.
Na trilha sonora, Coogler também contou com outro velho conhecido em sua equipe: o compositor e produtor musical Ludwig Göransson.
Ele já assinou trilhas sonoras de filmes como Pantera Negra (2018), Tenet (2020) e Oppenheimer (2023).
Pelos dois primeiros filmes citados, o compositor venceu dois Oscars de Melhor Trilha Sonora.
Fora do cinema, ele também já trabalhou como produtor musical de artistas como Childish Gambino, Adele e Haim.
A força de pecadores no Oscar
Além de ser o filme mais indicado da edição, Pecadores também marca um momento importante na trajetória de nomes como Michael B. Jordan e Ryan Coogler, que ainda não conquistaram uma estatueta do Oscar e veem em Sinners a chance de alcançar a primeira vitória na premiação.
O diretor, inclusive, destacou em entrevista à revista Variety o fato de estar entre os poucos cineastas negros indicados ao Oscar, o que dá ainda mais peso às nomeações do filme:
“Às vezes as estatísticas me deixam confuso. Às vezes elas me desanimam. O maior perigo é que, quando você é inundado por elas, elas podem reduzir sua esperança, deixar você desiludido ou fazer você sentir que o que está fazendo não importa. Eu tento proteger meu amor pelo que faço da melhor maneira possível.”, relatou Ryan.
A força do filme também aparece nas indicações. Ele não está apenas nas principais categorias, como Melhor Filme, Direção e Roteiro Original, mas também disputa prêmios em áreas como fotografia, som, figurino, trilha sonora e direção de arte, o que reforça sua força técnica e artística.
Outro ponto central é a forma como o filme articula diferentes camadas narrativas sem perder a clareza. Na direção, Ryan Coogler combina terror, drama histórico, música e tensão social dentro de uma mesma estrutura.
A atuação de Michael B. Jordan também tem peso importante. Quando um filme conquista espaço nas categorias de atuação, direção e aspectos técnicos, isso costuma indicar que foi percebido como uma obra completa, e não apenas como uma produção forte em pontos isolados.
Além disso, Pecadores reúne dois fatores que costumam pesar muito na disputa: boa recepção da crítica e resultado expressivo nas bilheteiras.
Por fim, o contexto histórico e cultural também reforça a força do filme. Ambientado no Mississippi dos anos 1930, Pecadores usa esse cenário para abordar temas como raça, violência, memória e música.
No Oscar, obras que conseguem unir tema, forma e impacto na indústria costumam chegar mais fortes à disputa.
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