- Meta vai eliminar a criptografia de ponta a ponta nas mensagens diretas do Instagram, com promessa de entrada em vigor em dezoito de maio.
- A empresa afirmou que a adoção pelo usuário foi baixa, argumentando que quem quiser E2EE pode usar o WhatsApp.
- A decisão ocorre após a Meta ter anunciado, em dezembro de 2023, criptografia padrão para o Messenger e testes para o Instagram Direct.
- Especialistas dizem que a medida pode abrir espaço para que outras empresas ou divisões dentro da Meta avancem no sentido contrario, gerando preocupação sobre compromissos públicos com a privacidade.
- Pesquisadores destacam que criptografia por padrão protege mais usuários e que removê-la não resolve riscos de crimes, além de refletir tensões internas na Meta sobre o tema.
Meta decidiu eliminar a criptografia de ponta a ponta (E2EE) nas mensagens diretas do Instagram, afirmando que a adoção ficou abaixo do esperado. A medida será implementada a partir de 8 de maio, segundo anúncio divulgado internamente pela empresa.
A confirmação foi acompanhada de críticas de especialistas em privacidade. Eles destacam que a mudança pode criar um precedente problemático para arquiteturas de criptografia em grandes plataformas.
Para Messenger, a empresa já havia implementado o recurso por padrão em dezembro de 2023, após anos de tentativas. No Instagram, porém, a criptografia ficou como opção, escondida em menus, até ser descontinuada.
Meta justificou a escolha pela baixa adesão dos usuários à criptografia de ponta a ponta nas DMs do Instagram. A empresa indicou que quem quiser manter a conversa protegida deve usar o WhatsApp.
Críticos argumentam que a estratégia dá a impressão de compromisso com a privacidade, mas, ao retirar o recurso, reduz proteções para usuários. Alega-se que a opção opcional não substitui a criptografia por padrão.
Especialistas ressaltam que poucos players têm o porte e a estabilidade para sustentar uma posição pró-E2EE. Além de Meta, apenas a Apple tem atuado com afinco nesse tema, segundo analistas.
Dentro da comunidade de pesquisadores, a decisão foi recebida com apreensão. Relatos internos de 2019 já mostravam debates sobre o estágio de implementação e o risco político da criptografia por padrão.
A mudança ocorre em meio a pressões legais e a temores de ataques cibernéticos globais. Organizações de defesa da privacidade destacam que a proteção universal beneficia usuários e facilita a cooperação com autoridades, sem expor dados sensíveis.
Paralelamente, Meta está investindo em outras frentes de criptografia. Em parceria com o criador do Signal, Moxie Marlinspike, a empresa testa uma tecnologia privada chamada Confer para proteger conversas com a IA da Meta. Detalhes sobre integração ainda não foram divulgados.
Fontes próximas à companhia apontam que a decisão sobre o Instagram pode sinalizar uma mudança de estratégia interna. Alguns analistas afirmam que o compromisso anterior com a criptografia por padrão pode ter sido, em parte, uma resposta de imagem pública a escândalos de privacidade.
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