- A SneakCœurZ, organização sem fins lucrativos, recebe centenas de tênis usados por semana em Champs-sur-Marne, leste de Paris, para decidir se podem ser salvas e reutilizados.
- No ano passado, a organização revendeu 2.000 pares de 30.000 recolhidos e quer triplicar ou quadruplicar esse volume nos próximos três anos, buscando escala industrial.
- A entidade já redistribuiu mais de 7.000 pares para pessoas carentes e gerou 19 empregos.
- Nos processos, os pares aprovados são limpos, desinfetados e, em alguns casos, branqueados com luz ultravioleta; o estado estrutural, especialmente da sola, é o que determina a viabilidade de refurbish.
- O contexto envolve políticas francesas de combate ao desperdício têxtil, como a lei de 2020 e o bônus de reparo de 2023, além de debates sobre o impacto ambiental do setor.
Um laboratório de reuso no leste de Paris tenta dar nova vida a tênis usados, reduzindo o desperdício têxtil. A organização SneakCœurZ recebe centenas de pares por semana e decide quais podem ser revendidos, redistribuídos ou descartados.
O diretor geral e cofundador Mohamed Boukhatem adianta que, no ano passado, foram revendidos 2 mil pares entre 30 mil coletados. A meta para os próximos três anos é ampliar o volume de forma considerável, buscando escala industrial.
A organização sem fins lucrativos já redistribuiu mais de 7 mil pares para pessoas carentes e criou 19 empregos. O trabalho ocorre em Champs-sur-Marne, nos arredores de Paris, onde inspecionar, limpar e recondicionar os modelos é rotina.
Operação e impacto
As equipes verificam quais tênis podem ser recuperados com base nos componentes estruturais, especialmente a sola. Itens como velcro ou cadarços não impedem a restauração, desde que materiais estruturais estejam preservados.
Tênis que passam pelo processo passam por limpeza, desinfecção interna e, em alguns casos, whitening com UV. Ao final, voltam ao ciclo de uso, reduzindo o descarte e o consumo de recursos.
Contexto regulatório
França já atua para reduzir o desperdício têxtil por meio de leis nacionais. Em 2020, uma norma obrigou a reutilização, doação ou reciclagem de mercadorias não alimentares, em vez do descarte. Em 2023, foi criado um bônus de reparo para roupas e calçados.
Dados internacionais mostram o peso ambiental do setor. Segundo a ONU, moda e têxteis respondem por até 8% das emissões globais de gases do efeito estufa. A UE apontou têxteis como grande origem de poluição hídrica e uso de solo em 2020.
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