- Christophe Leribault assume como novo diretor do Louvre em meio a crises, após roubo de joias da coroa e tensões que se arrastam há semanas.
- Relatórios oficiais apontam infraestrutura parcialmente deteriorada e atraso na implementação de planos de segurança, com menos de 0,3% do orçamento destinado à segurança e prevenção de incêndios.
- Des Cars foi acusada de gestão centralizadora e falhas administrativas, enquanto o Parlamento e o Cour des Comptes criticaram prioridades como a remodelação de entrada, sobrepondo obras grandiosas a necessidades básicas.
- Trabalhadores relatam alívio com a chegada de Leribault, que conhece o Louvre, mas alertam que o desafio é enorme diante de anos de atrasos técnicos.
- Prioridades atuais incluem planos técnicos avaliados em cerca de €480 milhões, com projeto de nova entrada estimado em €666 milhões, financiamento de patrocínios ainda não garantido e estudos técnicos inacabados.
O Louvre enfrenta uma crise profunda após o roubo das joias da coroa no ano passado e uma sequência de episódios que abalaram a instituição. Christophe Leribault, ex-diretor do Château de Versailles, assumiu a direção com a missão de buscar um aceno de pacificação. O governo descreveu esse desafio como de estabilização institucional e recuperação da confiança pública.
A crise envolve falhas estruturais, atrasos na implementação de equipamentos de segurança e controvérsias sobre prioridades de gestão. Relatórios do Cour des Comptes apontam que o museu dedicou menos de 0,3% do orçamento à segurança, priorizando políticas voltadas a eventos. Des Cars, ex-diretora, deixou críticas sobre o balanço entre grandiosas reformas e a manutenção básica.
Leribault chegou ao Louvre em 25 de fevereiro, em meio a mudanças políticas no Ministério da Cultura. O novo ministro, Catherine Pégard, é conhecida pela discrição, contrastando com a antiga gestão de Dati, que deixou o cargo para concorrer à prefeitura de Paris. O histórico do Louvre aponta uma gestão anterior marcada por tensões entre visão estratégica e funcionamento diário.
A equipe do Louvre expressou alívio com a chegada do novo líder. Funcionários dizem que Leribault conhece o local e a equipe, o que pode favorecer a recuperação do clima interno. A avaliação, no entanto, destaca o tamanho do desafio perante a infraestrutura degradada e as prioridades de investimento.
Desafios estruturais e orçamentários
A narrativa oficial aponta que o museu precisa cumprir masterplan técnicos estimados em 480 milhões de euros. O projeto de uma nova entrada, com complexo subterrâneo, chegou a custar taxas projetadas acima de 600 milhões de euros e enfrenta críticas por viabilidade financeira. Ainda não houve conclusão de estudos sobre risco de inundações e impactos no subsolo.
Paralisações recentes entre funcionários expõem tensões entre gestão e trabalhadores. A direção anterior havia promovido uma reforma de grande escala, com aumentos de folha e contratos de alto custo, segundo relatos de sindicatos. A situação gerou dúvidas sobre a execução de futuras medidas de segurança e preservação do acervo.
Enquanto o governo busca alinhar desejos de Macron com a necessidade de apaziguar a equipe e parlamentares, Leribault terá de gerir tanto a recomposição interna quanto as propostas de longo prazo. O desafio é equilibrar prioridades de preservação, turismo e conteúdo expositivo sob forte escrutínio público.
A avaliação de especialistas cita o papel da liderança na restauração da confiança. O currículo de Leribault, com passagem pelo Louvre em áreas administrativas e curadorias, é visto como positivo para conduzir mudanças sem rupturas bruscas. O próximo passo envolve consolidar planos e garantir execução com maior transparência.
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