- A dor durante a relação na menopausa não é normal e pode ter causas específicas que costumam ser tratadas com segurança.
- A queda de estradiol provoca ressecamento, menor elasticidade da mucosa vaginal e maior sensibilidade, contribuindo para a dispareunia e diminuição do prazer.
- Além da dor, há impactos na libido e no bem-estar geral, com mudanças na lubrificação, vascularização e resposta sexual.
- Existem opções de tratamento, como hidratação vaginal contínua, cremes com ácido hialurônico, terapia hormonal local e, em alguns casos, laser íntimo; a terapia hormonal pode ajudar em sintomas mais intensos.
- O acompanhamento médico é essencial para definir a melhor abordagem, que pode incluir terapia hormonal, tratamentos locais, exercícios do assoalho pélvico e apoio psicossocial, com o objetivo de melhorar conforto, prazer e qualidade de vida.
A dor e o desconforto durante a relação sexual entre mulheres na menopausa não devem ser considerados normais. Mudanças hormonais podem reduzir a lubrificação e a elasticidade da região íntima, elevando o desconforto durante o ato. O tema ainda é cercado de silêncio, porém há causas bem definidas e tratamentos seguros.
Segundo a ginecologista Dra. Patricia Magier, a queda de estradiol provoca alterações na mucosa vaginal, tornando-a mais seca e sensível. O resultado é dor durante o sexo e impacto direto no prazer.
Impactos da queda hormonal
A redução do estrogênio também afeta a lubrificação, a vascularização e a resposta sexual. A Dra. Ana Paula Fabricio destaca que a testosterona, embora em menor quantidade, influencia o desejo. A transição pode levar à dispareunia e menor engajamento sexual.
Dr. Nélio Veiga Junior alerta para sinais que vão além da dor: cansaço extremo, perda de interesse em atividades, tristeza e mudanças de peso podem indicar depressão clínica. O cuidado deve ser integrado.
Atrofia genital e complicações
A doutora Patrícia Magier explica que a atrofia genital agrava a fragilidade dos tecidos vaginais, prejudicando a lubrificação natural. Além da dor, aparecem coceira, ardência e infecções recorrentes, decorrentes da menor proteção da mucosa.
Esse quadro pode afetar a autoestima e a qualidade de vida, contribuindo para desmotivação e redução do bem‑estar geral. A saúde íntima passa a influenciar aspectos emocionais e sociais.
Opções de tratamento
O primeiro passo é buscar orientação médica e abrir o diálogo. A médica enfatiza que envelhecer não precisa significar sofrimento e que existem ferramentas eficazes para restaurar conforto e confiança.
As opções incluem hidratação vaginal contínua, cremes de ácido hialurônico e terapia hormonal local. Em casos selecionados, o laser íntimo pode ser considerado, com melhoria da mucosa, lubrificação e elasticidade.
A terapia hormonal também tem evidência de alívio para sintomas intensos do climatério, especialmente fogachos, sudorese noturna e sono prejudicado. A indicação depende de avaliação médica e histórico individual.
Abordagem clínica e escolhas
A Dra. Ana Paula Fabricio ressalta que o acompanhamento médico define a melhor estratégia, que pode incluir terapia hormonal, tratamentos locais, laser CO₂ para atrofia vulvovaginal, exercícios do assoalho pélvico, psicoterapia sexual e ajustes de estilo de vida. Cada caso é único.
Quase sempre o diálogo aberto com o ginecologista é o caminho para uma vida sexual mais tranquila. A Dra. Magier reforça que há soluções seguras e eficazes, e que toda mulher merece cuidado adequado.
Considerações finais
Quebrar o silêncio é essencial para identificar causas específicas e indicar tratamento adequado. Doença não é a regra na menopausa; o objetivo é melhorar conforto, prazer e qualidade de vida por meio de acompanhamento médico qualificado.
Por Paula Amoroso
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