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Maior complexo hospitalar da América Latina cancela compra de carne de tubarão

HCFMUSP cancela compra de mais de dezessete toneladas métricas de carne de tubarão por risco de metais pesados, após pressão de Sea Shepherd Brasil

Shark meat in Brazil. Image by Philip Jacobson/Mongabay.
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  • O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) cancelou a compra de mais de 17 toneladas métricas de carne de tubarão prevista para 2026, citando risco toxicológico relacionado a metais pesados.
  • A decisão ocorreu após a ONG Sea Shepherd Brasil ter encaminhado uma carta aos administradores do hospital pedindo a reconsideração, destacando ameaças à espécie e riscos para a saúde pública.
  • O HCFMUSP já havia aberto licitações para cação entre 2008 e 2020, totalizando pelo menos 135 toneladas, e divulgou novo edital em fevereiro de 2026 que motivou a mobilização.
  • O Brasil é o maior consumidor mundial de carne de tubarão, com compras governamentais contribuindo para o consumo em hospitais, escolas e prisões, segundo investigações anteriores.
  • Em março, o Tribunal Federal de Curitiba estabeleceu novas exigências de rotulagem, rastreabilidade e testes de contaminantes para aquisições federais de carne de tubarão, com estados estudando medidas semelhantes.

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP) cancelou a intenção de adquirir mais de 17 toneladas métricas de cação, carne de tubarão, para o processo de compras de 2026. A decisão ocorreu após avaliação de riscos toxicológicos, sobretudo quanto a metais pesados, como mercúrio e arsênio.

O HCFMUSP é o maior complexo hospitalar público da América Latina, reunindo pelo menos oito institutos em São Paulo, incluindo o instituto do coração, referência que atende centenas de milhares de pacientes por ano. A mudança visa manter padrões de segurança alimentar e qualidade de suprimentos.

A decisão veio após a força-tarefa de organizações ambientalistas e uma investigação publicada sobre o tema. A Sea Shepherd Brasil notificou a instituição em fevereiro de 2026, lembrando que o tubarão está ameaçado e que a carne pode apresentar contaminantes. Em março, o hospital comunicou a retirada do item da licitação 2026.

Segundo o hospital, a mudança reforça o compromisso com a excelência nutricional e a segurança dos insumos oferecidos. A medida não encerra, de forma generalizada, todas as compras de cação pelo complexo, mas interrompe especificamente a licitação referida ao ano de 2026.

Contexto regulatório e econômico

O Brasil consome cerca de 40 mil toneladas de carne de tubarão por ano, com metade proveniente de importação. Em 11ª Vara Federal de Curitiba, decidiu-se, em março, que aquisições públicas federais devem respeitar nova rotulagem de espécies, rastreabilidade e requisitos de testes de contaminantes.

Apesar disso, o tribunal manteve status quo sobre a proibição total de compras governamentais de cação, em nível federal, estadual e municipal. A prática de vender a carne sob o nome genérico cação é comum no varejo brasileiro, dificultando a identificação da espécie.

Deputado federal Nilto Tatto aponta que a decisão ajuda a conservar espécies e a saúde pública, ao coibir fraudes na comercialização de carne de tubarão. Estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná estudam exigir rotulagem por espécie para produtos de cação, como já ocorre no Paraná.

Novas regras de pesca e comércio

Em 26 de março, o Ministério do Meio Ambiente anunciou regras para a pesca e o comércio de tubarões azuis, visando maior fiscalização após o tubarão ter entrado no Anexo II da CITES. Entre as medidas estão proibições de pesca com anzóis de linha de superfície com ganchos de aço, limites de peso de captura e obrigação de devolução de fêmeas e de indivíduos abaixo de 45 kg.

A diretiva, produzida pelo IBAMA, gerou críticas de representantes do setor, que alegam sobreposição de competências. Organizações de pescadores manifestaram oposição, enquanto defensores da conservação elogiaram a medida como avanço para proteção de espécies. A Sea Shepherd Brasil celebrou o movimento como resultado de pressão acadêmica e civil.

Panorama de compras de cação

Investigação de 2025 indicou milhares de licitações de cação envolvendo milhares de municípios e estados. Em 2026, continuam licitações de cação por parte de prefeituras, com grandes volumes em pauta em cidades como Serra (ES), Camaçari (BA), São Gonçalo (RJ) e Salvador (BA).

No âmbito do HCFMUSP, o estudo mostra ainda que o conjunto hospitalar já adquiriu cação em licitações anteriores para outras unidades da instituição, com foco em alimentação hospitalar. A instituição não detalhou se a suspensão do item de 2026 significa uma mudança de política para os demais estabelecimentos do complexo.

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