- A exposição The Division Street Riots, de Carlos Rolón, está em cartaz na galeria 65Grand, em Chicago, e documenta a comunidade porto-riquenha de Humboldt Park, onde ele vive.
- A mostra faz referência à revolta de 1966, que ocorreu no dia seguinte ao primeiro desfile porto-riquenho da cidade, após a polícia ter atirado em Arcelis Cruz; os conflitos duraram três dias.
- O trabalho, em grafite e carvão, adota tons preto e branco e aproxima-se de um testemunho documental, com trechos de fotografias históricas ampliados e recortados.
- A prática do artista, que já produziu peças coloridas e chamativas no passado, ganha tom mais contido, mantendo o foco na memória, na identidade e na diáspora porto-riquenha.
- Um dos destaques é a instalação da bicicleta Humboldt Park Bicycle, criada com recursos DIY, que trabalha memória, mobilidade e cotidiano da comunidade durante momentos de ruptura.
Carlos Rolón inaugura no 65Grand a exposição The Division Street Riots, que aborda o levante de 1966 em Humboldt Park, Chicago. O conjunto reúne desenhos em grafite, esculturas a partir de materiais encontrados e peças que dialogam com a memória da comunidade porto-riquenha. O tom é contido, buscando testemunhar o evento sem sensacionalismo.
A mostra enfoca o dia após a primeira Parada Puertorriqueña na cidade, quando a policial abriu fogo contra Arcelis Cruz, de 20 anos, e as disputas duraram três dias. Rolón, nascido em Chicago em 1970, vive hoje na área de Humboldt Park, onde cresceu entre memórias familiares e a história local.
Em entrevista à The Art Newspaper, o artista explicou que o material escolhido para a exposição é deliberadamente sóbrio. Cerca de quatro gravuras em sublimação, por exemplo, ampliam trechos de fotos históricas para destacar detalhes reveladores, sem recorrer ao espetáculo.
Abordagem e referências
Rolón afirma que a escolha pelo grafite e pelo carvão busca função de testemunho documental. A paleta em preto e branco remete às origens históricas das imagens, ao mesmo tempo em que abre espaço para reflexão sobre o acontecimento e seu impacto na comunidade.
O artista descreve influência de visitas a Porto Rico na definição de linguagem visual. Elementos como grades de ferro trabalhadas, azulejos e motivos domésticos aparecem como dualidade entre proteção e decoração, reforçando o tema da memória coletiva.
Obra central e significado
Entre as obras, destaca-se a instalação com uma bicicleta Humboldt Park, em versão DIY, que incorpora televisão e áudio. O objeto funciona como memorial da circulação de histórias e de solidariedade durante o levante, além de sinalizar mobilidade e cobrança de recursos.
Rolón afirma que o objeto, guardado por mais de uma década, ganhou significado ao se entrelaçar com relatos arquivados: a bicicleta passa a ser artefato e símbolo de movimento dentro da comunidade. A obra une memória, espaço público e identidade cultural.
Carlos Rolón: The Division Street Riots fica em cartaz até 12 de abril no 65Grand, em 3252 West North Avenue, Chicago. A mostra reúne ainda peças como Protests Banner (2026) e outras referências à experiência puertorriqueña em cidades americanas.
- 65Grand: The Division Street Riots permanece em cartaz até 12 de abril, em Chicago. A curadoria reúne trabalhos que dialogam com identidade, migração e memória comunitária.
Entre na conversa da comunidade