- Um reservatório de água de cinqüenta litros permanece sem instalação na comunidade Bem Viver, no Território Indígena Raposa Serra do Sol, há quase dois anos, apesar de ter sido fornecido pelo DSEI.
- Enquanto isso, a água é captada de uma cachoeira via uma tubulação improvisada de cerca de setecentos metros, com tratamento inadequado e obstruções diárias por folhas e detritos.
- A comunidade esperava a perfuração de um poço e a construção de um reservatório elevado, mas as obras não foram concluídas e o tanque continua ocioso.
- Os moradores enfrentam problemas de saúde relacionados à água não tratada, especialmente crianças, com piora no início da estação chuvosa.
- O Ministério da Saúde afirma que o sistema foi instalado de forma emergencial e depende da entrega de materiais complementares, enquanto dados regionais mostram que menos da metade das comunidades da região norte tem acesso a estruturas de abastecimento de água.
RAPOSA SERRA DO SOL, Brasil — Um grande reservatório de 5 mil litros fica sem uso há quase dois anos na comunidade Bem Viver, no Território Indígena Raposa Serra do Sol, a 300 quilômetros de Boa Vista. O tanque, entregue pela DSEI, não chegou a ser instalado nem recebeu água.
A comunidade improvisa a captação de água a partir de uma cachoeira, ligada por uma rede de tubos de cerca de 700 metros. O recurso é consumido sem tratamento adequado e os canos sofrem com entupimentos diários causados por folhas e detritos.
Promessa não cumprida
Segundo Diassis Gabriel de Souza, chefe da comunidade Macuxi, o governo prometeu perfurar um poço e construir o chamado water castle, mas o projeto não avançou. De Souza relata que o tanque ficou parado desde a entrega, em 2023, e a diligência prometida nunca ocorreu.
Diante da demora, os moradores buscaram apoio na comunidade São Mateus, a 38 km de distância, arcando com custos de frete de 2 mil reais. Uma moradora, Eldina Gabriel Macuxi, aponta agravamento de doenças ligadas à água não tratada, especialmente entre crianças.
Situação de saúde e desafios locais
A água superficial é vulnerável a contaminações, com impactos agravados no início da estação chuvosa. Jacir Macuxi, ex-coordenador do CIR, alerta sobre mercúrio em algumas fontes devido à mineração ilegal, além de pesticidas. O acesso inadequado acarreta riscos à saúde e à alimentação.
O Ministério da Saúde informou, em nota, que o sistema foi instalado de forma emergencial e que a instalação final depende da chegada de materiais complementares. Medidas provisórias garantem água segura até a conclusão, mas sem detalhar prazos.
Panorama regional
O governo aponta que cerca de 63% da população indígena da Região Norte tem acesso a sistemas de água, com aumento de vilas atendidas entre 2022 e 2023. Mesmo assim, em estados como Roraima, Amazonas e Pará, muitos povos ainda enfrentam deficiência de água potável.
Especialistas destacam que a crise não é apenas de infraestrutura, mas de governança, planejamento e transição de modelos de saneamento. A Fundação Oswaldo Cruz e pesquisadores apontam a necessidade de abordagens que respeitem a realidade amazônica e o clima.
Tecnologias alternativas em evidência
Tecnologias com filtros de membranas de microfiltração têm sido usadas em áreas remotas para tornar águas de rios adequadas para consumo. Em algumas regiões, esses dispositivos são instalados em escolas, UBSs e espaços comunitários para atender milhares de pessoas, contribuindo para reduzir diarreias e doenças parasitárias.
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