- Hashima, também conhecida como Gunkanjima, já foi a ilha mais densamente povoada do mundo, com auge de 5.259 moradores em 1959 e densidade de até 139.100 hab/km² no setor residencial; a área total da ilha era de 6,3 hectares.
- O complexo foi construído a partir de descobertas de carvão e aterros ao longo do tempo, chegando a abrigar hospital, escolas, cinema, mercado Hashima Ginza e várias passarelas que ligavam os prédios. O Edifício nº 30, Erguido em 1916, foi o primeiro grande prédio residencial de concreto armado no Japão, com 7 andares e 145 apartamentos de cerca de 10 metros quadrados cada.
- A ilha ficou abandonada desde 1974; o sal do mar e tufões aceleram a deterioração, e em 2021 houve desabamentos no Edifício nº 30, com partes cortadas pela corrosão.
- Hashima foi inscrita como Patrimônio Mundial da UNESCO em 5 de julho de 2015, como parte dos Sítios da Revolução Industrial Meiji; a Coreia do Sul contestou a candidatura devido ao trabalho forçado de coreanos e chineses.
- O acesso turístico ocorre desde 2009, com viagens de Nagasaki de cerca de 40 minutos; apenas a faixa sul é aberta ao público, enquanto o restante permanece interditado; há ainda alternativas virtuais no Gunkanjima Digital Museum.
Hashima, ilha de concreto no Mar da China Oriental, já foi o lugar mais povoado do mundo por densidade. Hoje, cercada pelo oceano, abriga apenas ruínas banhadas pelas águas e é reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO, com controvérsias em relação ao passado de trabalho forçado.
Situada a 15 km de Nagasaki, a ilha surgiu a partir de atividades de mineração de carvão no século XIX. A Mitsubishi adquiriu o território em 1890 e expandiu a exploração, ampliando a área para cerca de 6,3 hectares por meio de aterros. Trabalhadores viviam em instalações apinhadas, com temperaturas de até 30 °C e 95% de umidade.
História e densidade populacional
Em 1916 foi erguido o Edifício n° 30, primeiro grande prédio residencial de concreto armado do Japão, com 145 apartamentos de 10 m². A partir dele, a ilha ganhou uma malha urbana de passarelas e escadas que ligavam prédios sem tocar o chão.
No auge, em 1959, Hashima recebeu 5.259 moradores. A densidade chegou a 83.600 habitantes por km², ou 139.100 km² considerando apenas a área residencial, números acima de grandes cidades japonesas da época. A infraestrutura incluía hospital, escolas, cinema, mercado e templos, com água doce fornecida por embarcações.
O passado sombrio e a UNESCO
Entre 1930 e a Segunda Guerra Mundial, civis coreanos e prisioneiros de guerra chineses foram forçados a trabalhar nas minas, com mortes variando entre 137 e mais de mil conforme a fonte. O tema gerou impasse diplomático entre Japão e Coreia do Sul, freando a candidatura de Hashima à UNESCO em 2009. O conjunto foi inscrito em 5 de julho de 2015 como parte dos Sítios da Revolução Industrial Meiji.
A erosão marinha intensificou a degradação da estrutura, com desabamentos em 2021 observados pela Universidade de Tóquio. O Edifício n° 30 perdeu parte de seus andares superiores, comprometendo parte da memória histórica preservada na ilha.
Acesso e turismo
Desde 22 de abril de 2009, passeios de barco partem de Nagasaki com duração média de 40 minutos. Apenas uma faixa no sul da ilha é liberada ao público, com passarelas seguras e mirantes. As visitas costumam ser canceladas por condições de mar e tufões entre junho e outubro.
Para quem não consegue viajar, o Gunkanjima Digital Museum, em Nagasaki, oferece experiências em realidade virtual que simulam o interior da ilha. Hashima, cujo apelido Gunkanjima significa Ilha Navio de Guerra, continua a despertar interesse pela sua arquitetura e pela memória histórica.
A ilha inspira produções cinematográficas, como o vilão Raoul Silva em 007: Operação Skyfall (2012), cuja filmagem externa ocorreu em estúdios por questões de segurança. Hashima permanece como um símbolo da relação entre industrialização, memória coletiva e natureza.
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