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Pastora Helena Raquel defende denúncia de violência doméstica em tradicional congresso evangélico

Líder religiosa afirmou que igrejas não podem silenciar diante de abusos e criticou orientações dadas a mulheres para apenas “orar e suportar”.

A pastora Helena Raquel no congresso Gideões 2026. (Foto: Reprodução/YouTube/Gideões Missionários da Última Hora)
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  • A pastora Helena Raquel participou do 41º Congresso dos Gideões, em Camboriú (SC), no último sábado, pedindo às vítimas de violência doméstica que denunciem seus agressores.
  • Ela pediu que mulheres parem de orar pelos agressores e tomem a atitude de denunciar, citando a passagem de Juízes 19 e gerando debate sobre o papel da igreja no combate à violência.
  • A pregação rejeitou conselhos de igrejas que orientam as vítimas a apenas orar para ser salva, incentivando-as a buscar delegacias especializadas e apoio de pessoas de confiança.
  • Helena Raquel reforçou que abusadores não devem ser vistos como ungidos, pediu que pais deixem igrejas que contestam a palavra das filhas e afirmou que não existe compatibilidade entre pastor e abusador.
  • A senadora Damares Alves elogiou a coragem da pastor e lembrou dados de que mais de quarenta e dois por cento das mulheres evangélicas já sofreram violência doméstica, destacando a importância de divulgar estudos e denúncias.

A pastora Helena Raquel pediu que vítimas de violência doméstica denunciem seus agressores durante uma pregação no tradicional Congresso Internacional de Missões dos Gideões, realizado em Camboriú, em Santa Catarina, no último sábado.

Reconhecido como um dos maiores e mais tradicionais encontros da Assembleia de Deus no Brasil, o congresso reúne milhares de fiéis todos os anos e costuma receber nomes influentes do meio evangélico nacional. Evangélica há 40 anos, Juliane Cristina afirma que não se trata de um evento qualquer:

“O Congresso Gideões ocorre há 41 anos e reúne cerca de 200 mil pessoas. A simples pregação de mulheres pastoras lá já é uma evolução”, afirma ela, que congrega na Zion Church.

Foi nesse cenário que Helena Raquel fez um discurso contundente contra o silêncio em casos de abuso e violência dentro de ambientes religiosos.

Com cerca de 27 anos de ministério, a pastora é conhecida por pregações voltadas à restauração emocional, família e enfrentamento de dores pessoais. Durante a mensagem, baseada em Juízes 19, ela criticou a ideia de que mulheres vítimas de violência deveriam apenas orar para que os companheiros “fossem transformados”.

“Tem mulher apanhando e ouvindo que precisa apenas buscar mais a Deus. Isso não é proteção”, afirmou durante a pregação.

Segundo Helena Raquel, algumas vítimas acabam sendo desencorajadas a denunciar para evitar escândalos dentro das igrejas. Para ela, esse tipo de orientação contraria tanto os princípios bíblicos quanto a responsabilidade de proteger mulheres em situação de vulnerabilidade.

A pastora orientou que vítimas busquem ajuda prática e imediata. Em vez de direcionar a oração apenas para a mudança do agressor, ela defendeu que mulheres peçam força para romper ciclos de violência, procurar delegacias especializadas e buscar apoio de familiares e pessoas de confiança.

Ela também alertou para comportamentos abusivos mascarados por pedidos de desculpas e promessas de mudança.

“Ungido não é abusador”

Outro ponto que chamou atenção na fala foi o recado direcionado a líderes religiosos e familiares que relativizam abusos cometidos dentro das igrejas.

Helena Raquel rejeitou a ideia de que homens violentos devam ser tratados como “ungidos” ou protegidos por ocuparem cargos religiosos. Citando passagens bíblicas, ela afirmou que abusadores, pedófilos e agressores devem ser responsabilizados criminalmente.

“Não existe compatibilidade entre pastor e abusador”, declarou.

A pastora também afirmou que comitês e lideranças religiosas precisam atuar como espaços de acolhimento, verdade e cura — e não como estruturas de silenciamento.

Após a repercussão da pregação, Helena Raquel voltou a comentar o tema nas redes sociais. Em publicações compartilhadas após o congresso, ela reforçou que a igreja não pode se omitir diante de crimes e abusos.

“Quem agride não representa Deus”, escreveu.

Damares Alves elogia posicionamento

A senadora Damares Alves elogiou publicamente a postura da pastora e destacou a importância de ampliar o debate sobre violência doméstica no meio evangélico.

Segundo a parlamentar, pesquisas indicam que mais de 42% das mulheres evangélicas afirmam já ter sofrido algum tipo de violência doméstica. Damares defendeu que dados como esses sejam divulgados para incentivar denúncias e ampliar a conscientização dentro das igrejas.

Durante a repercussão do caso, também foram divulgados canais de apoio e denúncia para vítimas:

  • Ligue 180 — Central de Atendimento à Mulher;
  • Disque 100 — denúncias de violações de direitos humanos.

A orientação é que vítimas procurem ajuda especializada e não permaneçam em ambientes de violência física, psicológica ou sexual.

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