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Luxo contemporâneo já não é novidade, aponta estudo

No Global Fashion Summit, o luxo passa a ser permanência: reparo, revenda e proveniência elevam o valor de peças que duram décadas

O novo luxo não é novo — Foto: Launchmetrics/Spotlight
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  • No Global Fashion Summit em Copenhague, o tema central foi a permanência no luxo, em vez da novidade, com foco em peças que duram décadas.
  • A Mulberry aparece como exemplo: empresa certificada como B Corp, com integração da sustentabilidade ao modelo de negócios, incluindo programas de buy-back, re-commerce, venda de itens pre-loved, reparos nas lojas e rastreabilidade da cadeia produtiva.
  • A Sotheby’s já trata bolsas de luxo como ativos comparáveis a obras de arte, priorizando craftsmanship, provenance, raridade e significado cultural.
  • A venda da primeira Birkin pertencente a Jane Birkin, por cerca de US$ 10 milhões, sinaliza a valorização da história e da vida útil de uma peça, não apenas do material ou da marca.
  • Marcas como Reformation, Arc’teryx e Brunello Cucinelli promovem circularidade e sustentabilidade como cultura aspiracional, com iniciativas de reparo, recompra, revenda e foco em capital humano e continuidade gerar valor a longo prazo.

O novo luxo não é novo. O tema ganhou força no Global Fashion Summit, em Copenhague, onde a permanência ocupou o centro das discussões. A ideia é que qualidade e durabilidade deslocam o foco da novidade constante.

Numa época de questionamento sobre desperdício e obsolescência, o luxo passa a valorizar peças que atravessam décadas, acumulam história e podem ser restauradas, revendidas ou herdadas. O tempo, nesse cenário, vira ativo.

A mudança de ideia

A frase central do encontro resume a virada: luxo é o que pode ser reparado. A noção desloca o consumo aspiracional para o patrimônio cultural, com ênfase na rastreabilidade da produção e na longevidade das peças.

Mulberry surge como exemplo-chave. A marca, certificada como B Corp, integrou sustentabilidade ao modelo de negócios com buy-back, re-commerce, reparos nas lojas e couro regenerativo, valorizando a origem do material tanto quanto o design.

A prática de pre-loved ganha novo status simbólico. Revenda, aluguel e restauração passam a indicar sofisticação cultural, não apenas opções sustentáveis, reforçando a ideia de continuidade da peça no ecossistema da marca.

A Sotheby’s já trata bolsas de luxo como ativos comparáveis a obras de arte, levando em conta craftsmanship, provenance, raridade e significado cultural na avaliação de valor.

Casos e estratégias

A venda da primeira Birkin de Jane Birkin, por cerca de 10 milhões de dólares, ilustra a ampliação do valor com história acumulada. Tempo e narrativas elevam o preço de itens de luxo, não apenas o material.

A Reformation apresenta o Circularity Report, com o conceito de Happy Endings. Peças continuam circulando por meio de reparos, recompra e revenda, reduzindo a ideia de fim de vida.

Marcas de esporte e alta performance também adotam a lógica de circularidade, como Arc’teryx, com o programa ReBird que incentiva reparo, trade-in e reaproveitamento de peças técnicas.

O peso da procedência

Especialistas destacam que, num mercado saturado, saber de onde vêm fibras, couro e comunidades por trás de cada peça passa a influenciar o valor cultural e o apego à marca.

Brunello Cucinelli é citado como exemplo de alinhamento entre sustentabilidade e cultura. A marca atua com Humanistic Capitalism, promovendo dignidade humana, artesanato e preservação de saberes locais.

O case de Solomeo, vila italiana restaurada pela empresa, revela foco em tempo, qualidade e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. Serviços de reparo permanentes acompanham as peças ao longo de gerações.

Uma nova lógica de luxo

A discussão aponta para uma indústria que busca menos desperdício e mais permanência. O objetivo é transformar sustentabilidade em cultura aspiracional, não apenas obrigação ética.

No conjunto, o luxo moderno passa a se medir pela capacidade de permanecer relevante, estética e culturalmente, ao longo de décadas. O tempo, nesse desenho, é o maior ativo.

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