- Casos de atraso na entrega de carros vendidos por meio de concessionárias para clientes PCD chegam a meses; Justiça tem sido acionada para obrigar a BYD a entregar os veículos.
- Karyne de Freitas, motorista de Cuiabá, obteve liminar para receber o Song Pro GL em 25 de fevereiro deste ano, após 130 dias de espera.
- Gustavo Kaufmann, em Brasília, pagou R$ 160.000 à vista pelo King GS e viu a entrega adiada repetidamente, com datas previstas que não foram cumpridas (nova previsão chegou a junho, 161 dias após o pagamento).
- Vendedores e redes de concessionárias, como a Saga, teriam relatado atrasos por questões operacionais e de repasse de pagamento, gerando acusações de falta de transparência.
- A BYD afirma tratar os casos individualmente, informou que responderá judicialmente no caso de Karyne e que não havia estipulação contratual de prazo específico de entrega; a empresa nega violações sistêmicas.
Karyne de Freitas, motorista particular de Cuiabá (MT), comprou um BYD Song Pro GL via venda direta com benefício de PCD. O valor total ficou em R$ 147.990, após descontos. O veículo foi adquirido em outubro do ano passado, com financiamento em 60 parcelas.
Ela trocou o Corolla 2020/2021 pelo Song Pro, usando parte do dinheiro como entrada. O restante foi financiado e as parcelas chegaram todo mês. A concessionária Saga de Cuiabá intermediou a venda direta.
Apesar da boa impressão inicial, o carro não foi entregue. A motorista pressionou a loja, chegou a aceitar mudar a cor para receber mais rápido, mas continuou sem o veículo. O Corolla já havia sido entregue na troca, ficando sem alternativa para o trabalho.
Conforme a cliente, a situação se estendeu por meses, com entregas adiantadas ou remarcadas de forma repetida. Em fevereiro deste ano, houve a decisão judicial com liminar para entregar o Song Pro após 130 dias de espera.
#### Casos de clientes PcD em todo o país
Outro caso envolve Gustavo Kaufmann, 46 anos, de Brasília (DF). Ele comprou um BYD King GS à vista, beneficiado por desconto PCD, por cerca de R$ 160.000. A entrega prometida para 23 de janeiro foi adiada repetidamente sem definição.
A loja informou que o veículo havia sido embarcado no exterior e só chegaria em junho, o que ocorreu após a conclusão de vários atrasos. Diante da incerteza, Gustavo acionou a Justiça para reaver o valor pago.
A Saga de Cuiabá também alegou demora na faturação do pedido. O pagamento de Karyne foi transferido à montadora, mas o reconhecimento pela fábrica só ocorreu em fevereiro de 2026, dificultando a continuidade do processo de entrega.
#### Posicionamento da BYD
A BYD comentou que trata cada caso de forma individual. A empresa solicitou as evidências de Kaufmann, que não foram publicadas na íntegra pela reportagem para proteção de testemunhas. Em relação a Karyne, a BYD informou que responderá judicialmente.
De acordo com a defesa da BYD nos autos, a motorista poderia ter utilizado outro veículo para trabalhar enquanto aguardava o Song Pro, e não haveria prazo contratual de entrega estipulado pela fabricante. Os advogados classificaram o pleito de indenização como questão logística, não moral.
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