- A Global Fashion Summit (GFS) ocorre em Copenhague e funciona como a cúpula de sustentabilidade da indústria, reunindo líderes e especialistas para discutir ações ao longo da cadeia de suprimentos.
- A Copenhagem Fashion Week exige que cinquenta por cento das coleções utilizem materiais reciclados ou upcycled, com design sem desperdício e proibição de plástico de uso único.
- O uso da inteligência artificial é visto como ferramenta para eficiência, segurança no trabalho e reciclagem, mas há preocupações com deslocamento de trabalhadores e custos energéticos.
- Destaques incluíram a premiação Visa Young Creators Recycle the Runway para a marca Martan e lançamento de diamantes de laboratório pela Pandora com Pamela Anderson, além de leilão da eBay para itens de luxo usados a partir de um libra.
- A ênfase foi em circularidade e colaboração entre marcas, recicladores, governos e consumidores, reconhecendo desafios econômicos e a necessidade de redesenhar sistemas para tornar a sustentabilidade escalável.
O Global Fashion Summit (GFS), encontro anual realizado em Copenhague, reúne líderes da indústria para discutir caminhos de sustentabilidade na cadeia produtiva da moda. O evento britânico sediou debates sobre responsabilidade, rastreabilidade e metas de redução de impactos. A edição promove ações contra greenwashing, com foco em “futuros resilientes”.
Dirigentes, diretores de marketing e presidentes de empresas como Pandora, LVMH e Kering participaram, ao lado de especialistas em direitos trabalhistas, acadêmicos e organizações de caridade. O objetivo é alinhar interesses entre marcas, fornecedores e consumidores em prol de uma moda mais sustentável.
O encontro ocorre na capital dinamarquesa, reconhecida pela agenda verde, e marca a 20ª edição da Copenhagen Fashion Week (CFW). Ao longo de dois dias, a Global Fashion Agenda (GFA) reúne casos, avanços e desafios para avançar na visão de sustentabilidade.
O evento enfatiza a necessidade de colaboração entre diversos agentes para reduzir impactos ambientais. A pauta desta edição foi intitulada Building Resilient Futures, com ênfase na transparência de emissões e na comunicação de pegadas de carbono.
AI as a tool for good
A inteligência artificial foi tema central, apresentada como ferramenta para prever riscos, identificar defeitos e otimizar produção. Empresas como Synflux mostraram processos digitais desde tingimento até costura automatizada, fortalecendo a rastreabilidade.
Paralelamente, surgiram questões sobre impactos no emprego, já que a automação pode deslocar trabalhadores. A discussão não viu IA como substituta, mas como apoio em que a expertise humana orienta as máquinas.
A IA também aparece na reciclagem têxtil, com sistemas de triagem que identificam composições de fibras. Empresas como Matoha já utilizam essas tecnologias para ampliar a reciclabilidade e a rastreabilidade de materiais.
Community is power
Além de tecnologia, o encontro ressaltou dimensões sociais da moda. Oradores associaram consumo excessivo a saúde mental, pressão das redes sociais e hábitos de compra impulsivos. O debate apontou a necessidade de repensar o porquê de comprar tanto.
Plataformas de reuso tiveram destaque, com a eBay destacando o resale como aliado de sustentabilidade e acessibilidade. Renegociação de consumo, economia circular e expressão pessoal foram apontadas como parte de uma mudança de mindset.
Mulberry destacou iniciativas britânicas de couro e práticas agrícolas regenerativas, reforçando que qualidade e sustentabilidade podem caminhar juntas. O papel da comunidade aparece como componente central da transformação.
Lab grown diamonds are a girl’s best friend
A discussão sobre materiais laboratoriais ganhou espaço, com Pandora e Pamela Anderson apresentando diamantes cultivados. A empresa informou uso de energia 100% renovável na fabricação, com metais reciclados.
Pamela Anderson participou do lançamento de políticas que associam ética, storytelling e identidade às escolhas de consumo. O debate procurou descentrar o brilho do luxo de apenas status social.
Circularity is central
A circularidade foi destacada como o maior desafio de sistema. O desperdício têxtil é significativo, com impactos relevantes em economias como Gana e Índia. Emvelope foram apresentadas metas para aumentar reciclagem, reparo e reutilização.
Marcas como H&M e LVMH discutiram integração de materiais reciclados e infraestruturas de reparo. Mesmo assim, o custo e a viabilidade econômica permanecem obstáculos para a indústria.
Designers exploraram o upcycling como inovação. Em demonstração, Kevin Germanier mostrou peças feitas de deadstock, incluindo materiais não convencionais, evidenciando potencial de luxo na circularidade.
Collaboration as innovation
Ao longo do summit ficou claro que nenhum ator sozinho resolve o desafio. A visão é de colaboração entre marcas, recicladores, fabricantes, governos, instituições financeiras e consumidores.
Houve consenso sobre a necessidade de estruturar mudanças econômicas, tecnológicas e culturais para ampliar a sustentabilidade de forma escalável. O evento sinalizou avanços, sem simplificações, rumo a sistemas mais resilientes.
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