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Influências árabes na arquitetura brasileira ganham destaque em estudo

Influências árabes moldaram a arquitetura brasileira desde o século XVI, adaptadas ao clima e à tradição ibérica, com azulejos, pátios e brises

O Marco Zero de Recife, no coração do centro histórico da capital pernambucana, abriga exemplares da arquitetura mourisca (ou neomourisca), reconhecíveis pelos muxarabis, arcos, cúpulas e pela rica azulejaria. Na imagem, destacam-se o prédio do Palácio do Comércio onde ficava sediada a Associação Comercial de Pernambuco e, à direita, o edifício da Caixa Cultural Recife
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  • As influências árabes chegaram ao Brasil durante a colonização portuguesa, já reinterpretadas pela tradição ibérica, especialmente entre os séculos XVI e XVIII.
  • Elementos como arcos, azulejaria, pátios internos e treliças de madeira foram adaptados às condições brasileiras e às práticas construtivas locais, com foco em ventilação e clima.
  • Exemplos históricos incluem o Sobrado Mourisco, em Olinda, e o Pavilhão Mourisco, no Rio de Janeiro, marcações do neomourismo que ganhou força no final do século XIX e início do XX.
  • Na arquitetura contemporânea, recursos como brises, azulejos e muxarabis aparecem de forma prática para iluminação, ventilação e integração entre espaços internos e externos.
  • A azulejaria continua presente, com ressignificações que destacam o uso externo para proteção térmica e contra a umidade, além de referências mouriscas em novas leituras do estilo.

O estilo árabe deixou marcas na arquitetura brasileira por meio de recursos já reinterpretados pela tradição construtiva portuguesa. Arcos, azulejos, pátios internos e treliças de madeira aparecem em casas, igrejas e edifícios públicos, com influência que se consolida entre os séculos XVI e XIX.

Essa herança chegou ao Brasil durante o período colonial, quando técnicas ibéricas se mesclaram a soluções locais. Expertas em História da América, as pesquisadoras destacam que a integração foi gradual e adaptada ao clima, aos materiais disponíveis e às práticas construtivas do seu tempo.

Ao longo do tempo, a presença árabe foi se tornando parte da paisagem construída, sem permanecer isolada em um único estilo. A leitura correta dessa influência evita simplificações sobre a relação entre culturas, mantendo o foco em dados históricos e na evolução das técnicas.

Panorama histórico

Entre os séculos XVI e XVIII, técnicas de taipa, azulejaria, treliças e muxarabis ganharam espaço. Arcos em ferradura ou com efeito mihrab, texturas rendilhadas e pátios internos com jardins passaram a figurar em edificações religiosas, residenciais e palacetes.

No final do século XIX e início do XX, com a chegada de imigrantes árabe-sírio-libanês, surge o neomourisco dentro do ecletismo. Elementos de Andaluzia e referências a palácios medievais aparecem, incluindo cúpulas bulbosas e formas ogivais que lembram a arquitetura de Alhambra.

Um marco relevante foi o Pavilhão Mourisco, inaugurado em 1907 no Rio de Janeiro. Com cinco cúpulas douradas, azulejos espanhóis e inscrições árabes, funcionou como restaurante e espaço cultural até ser demolido para abrir espaço a obras urbanas.

Casos emblemáticos e adaptações locais

A necessidade de convívio com o clima brasileiro levou a adaptações dos recursos mouriscos. Pátios internos passaram a abrir-se para jardins tropicais, favorecendo a convivência ao ar livre. Arcos migraram para igrejas coloniais e palacetes com maior ornamentação.

Os azulejos ganharam função termossanitária, além do aspecto decorativo. Enquanto em Portugal eles protegiam a alvenaria, no Brasil passaram a oferecer proteção térmica e contra umidade, com aplicação mais intensa em superfícies externas.

Com relação aos espaços comerciais, a influência mourisca ganhou protagonismo durante o ecletismo, aproximando-se de usos urbanos da época. A presença de elementos árabes em obras públicas e privadas ajudou a moldar a identidade visual de cidades inteiras.

Exemplos e legados no Brasil contemporâneo

Mesmo hoje, a arquitetura brasileira conserva recursos que dialogam com práticas árabes e mediterrâneas. Brises e como vazados de madeira, que funcionam como controle de chuva, iluminação e ventilação, aparecem em projetos modernos.

Os elementos de muxarabi evoluíram para soluções contemporâneas de ventilação cruzada, iluminação natural e integração entre interior e exterior. Pátios internos retornam como dispositivos climáticos e de privacidade.

A azulejaria moderna ressignifica a tradição portuguesa, mantendo traços mouriscos por meio de alpendres, beirais largos e texturas rendilhadas. Esse vocabulário reaparece tanto em obras novas quanto em propostas de renovação de imóveis históricos.

Principais referências históricas

Sobrado Mourisco, Olinda (século 17), é destaque pela sacada rendilhada. Teatro Riachuelo, Rio de Janeiro (1890), projetado por Adolfo Morales de los Rios, integra o conjunto urbano. Palacete Mourisco e outros imóveis paulistas da Avenida Paulista nasceram nessa continuidade de referências.

Outras obras notáveis incluem palacetes em Belém, Recife e São Paulo, bem como intervenções de restauração que mantêm a linha de influências mouriscas. Em Salvador, a Igreja de Nossa Senhora da Conceição da Lapinha passou por reforma significativa na década de 1930 para incorporar elementos mouriscos.

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