- Morin morreu aos 104 anos e, ao longo de visitas ao Brasil, concedeu entrevistas ao Estadão sobre Brasil, humanidade, Palestina e arte.
- Em 2002, ele alertou para uma “catástrofe provável”, destacando riscos ecológicos, escalada de armamentos e conflitos, especialmente no Oriente Médio.
- Sobre o mundo pós-11 de setembro, defendeu a necessidade de reunir diversas vias — educação, reforma das instituições e moral — para oferecer uma nova perspectiva à humanidade.
- Em 2009, ressaltou a grandeza do Brasil pela diversidade e pela biodiversidade, defendendo reconhecimento das culturas indígenas e advertindo sobre impactos do desenvolvimento na Amazônia.
- Em 2019, destacou o papel da arte na construção dos saberes humanos e a resistência a um poder econômico que tenta impor uma vida mais padronizada.
Edgar Morin, reconhecido pensador humanista, manteve uma relação de visitas ao Brasil ao longo de décadas, concedendo entrevistas ao Estadão sobre temas como futuro da humanidade, conflitos no Oriente Médio e arte. Ele faleceu aos 104 anos na última sexta-feira.
Em 2002, Morin alertou sobre uma catástrofe provável caso não haja reconexão entre saberes para pensar o destino planetário. Segundo o filósofo, haveria risco de catástrofe ecológica e de escalada de armamentos, com conflitos locais que afetam o conjunto da humanidade, especialmente no Oriente Médio.
Nova perspectiva da humanidade
Na entrevista, ele discutiu a necessidade de caminhos novos para a humanidade após o 11 de setembro. Morin criticou resultados limitados de religiões e educação, defendendo a reforma institucional e a busca por vias conjuntas para uma perspectiva global, além de reconhecer falhas históricas na melhoria das relações humanas.
A grandeza do Brasil
Em 2009, Morin comentou sobre a pluralidade brasileira e a biodiversidade da Amazônia. Defendeu o reconhecimento das culturas indígenas e alertou sobre a devastação causada por modelos de desenvolvimento que desrespeitam essas culturas e a floresta.
Conflito Israel-Palestina
Ainda em 2009, o filósofo apontou que o conflito ganhava complexidade com o aumento do papel da religião na política israelense e com a divisão da Palestina. Disse que obstáculos políticos dificultavam negociações, destacando a influência de mudanças americanas na região.
A importância da arte
Em 2019, Morin ressaltou o papel da arte na construção dos saberes, destacando que um romance oferece compreensão da humanidade que a ciência não entrega. Observou que o poder econômico busca impor uma lógica de vida simplificada, mas a arte e as relações humanas permanecem resistência saudável.
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