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Miura: o V12 central que inaugurou a era dos supercarros modernos

O Miura popularizou o motor central V12, redefinindo desempenho e estética dos supercarros modernos

Clássico esportivo italiano com motor central traseiro e design aerodinâmico revolucionário – Créditos: depositphotos.com / bennymarty
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  • Três jovens engenheiros—Gian Paolo Dallara, Paolo Stanzani e Bob Wallace—criaram o projeto como ato de rebeldia, com o chassi desenvolvido de forma independente.
  • O motor V12 foi posicionado transversalmente atrás dos bancos, em um layout de motor central que melhorou a distribuição de peso e a dirigibilidade.
  • O design aerodinâmico foi assinado por Marcello Gandini, da Bertone, com perfil baixo, faróis com “cílios” e portas que lembram chifres de touro.
  • O uso do V12 exigia habilidade do motorista e apresentava desafios térmicos e de manutenção, com risco de incêndio, ruído intenso e instabilidade em altas velocidades no eixo dianteiro.
  • A versão SV (Spinto Veloce) corrigiu falhas anteriores e tornou-se a mais cobiçada em leilões, influenciando outras fabricantes a adotarem o motor central.

O Lamborghini Miura, lançado em 1966, revolucionou o conceito de supercarro ao apresentar um motor V12 central posicionado logo atrás dos bancos. O modelo inaugurou uma nova era de desempenho, dirigibilidade e design para a indústria automotiva.

A ousadia veio de três jovens engenheiros: Gian Paolo Dallara, Paolo Stanzani e Bob Wallace, que desenvolveram o chassi de forma quase secreta. O fundador da marca preferia focar em carros de turismo potentes, mas contava com esse núcleo técnico.

A inovação principal ficou por conta do motor V12 transversal, atrás do cockpit. Essa configuração distribui o peso de forma mais eficiente, elevando a estabilidade em curvas e a agilidade em altas velocidades.

Design e estética

As linhas esguias foram criadas por Marcello Gandini, da Bertone, que desenhou um perfil baixo com faróis em cetros e portas que se abrem como chifres. A silhueta marcante tornou-se referência no design de esportivos dos anos 60.

Em comparação com esportivos da época com motor dianteiro, o Miura apostou em um capô curto, teto baixo e acesso mecânico por tampas inteiriças, destacando-se pela integração entre aerodinâmica e desempenho.

Desafios de dirigibilidade e manutenção

Apesar do sucesso, dirigir o Miura exigia habilidade. O calor do V12 e dos carburadores acentuava o desconforto em cabines sem climatização, dificultando viagens longas no verão. A manutenção também era um ponto sensível, segundo fontes da indústria.

Os fabricantes e clubes de colecionadores destacam riscos de incêndio em primeiras versões, ruído intenso do motor e instabilidade em altas velocidades, o que motivou evoluções ao longo do tempo.

Evolução para a versão SV

A versão Spinto Veloce (SV) aperfeiçoou aerodinâmica e mecânica, tornando-se a mais desejada em leilões de clássicos. Quatro pontos costumam valorizar o modelo: paralamas alargados, ausência de “cílios” ao redor dos faróis, maior largura de pneus e lubrificação separada.

A guinada tecnológica do Miura influenciou a indústria automotiva, levando concorrentes, incluindo Ferrari, a adotarem motor central em modelos de alto desempenho nas décadas seguintes. A obra destaca-se pela estética arrojada e pelo marco técnico que definiu a era dos supercarros.

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