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Brasil registra 150 mil agressões contra população de rua

Levantamento aponta 150 mil episódios de violência contra população em situação de rua entre 2014 e 2023, com alta subnotificação e barreiras de atendimento

Casos registrados envolvem agressões e outros tipos de violência contra pessoas sem moradia
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  • Entre 2014 e 2023, foram registradas 150 mil ocorrências de violência contra a população em situação de rua no Brasil.
  • As principais vítimas são homens jovens negros; 78% são pretos ou pardos, e 82% têm entre 15 e 49 anos.
  • Os tipos de violência incluem ataque físico (65%), violência psicológica (42%), negligência/abandono (18%) e violência sexual (15%).
  • 70% das vítimas nunca buscam atendimento; diariamente, cerca de 120 casos graves são registrados no sistema de saúde, com 12% evoluindo para trauma grave ou morte.
  • O estudo recomenda monitoramento preditivo, descentralização de investimentos, políticas públicas estruturantes e integração entre saúde, assistência social, justiça e direitos humanos; o programa Cidadania PopRua, por exemplo, registrou 6.381 casos em 2024, totalizando 52.906 entre 2015 e 2024.

Em abril deste ano, um homem em situação de rua foi atacado por estudantes universitários em Belém (PA), com utilização de descargas elétricas. O caso ganhou repercussão nacional, mas representa apenas uma parcela de uma violência histórica contra pessoas sem moradia.

Entre 2014 e 2023, foram registradas 150 mil ocorrências de violência contra a população em situação de rua, segundo estudo elaborado pela OBPopRua em parceria com a UFMG. O levantamento aponta ainda subnotificação crônica e barreiras para buscar atendimento.

A cada dia, o sistema de saúde registra, em média, 120 casos graves envolvendo pessoas sem moradia, com 75% exigindo intervenção médica aguda e 12% levando a traumas graves ou óbitos. A pesquisa enfatiza a recorrência de agressões.

Perfil e padrões de violência

O estudo indica que homens jovens negros são as principais vítimas, respondendo por grande parte das notificações. A maior parte das agressões ocorre por desconhecidos, com presença de racismo estrutural e desigualdades históricas. Há também casos envolvendo violência institucional.

Mulheres e pessoas trans em situação de rua exibem risco elevado de agressões graves ou fatais. A pesquisa aponta ainda que a violência não fica restrita às ruas, ocorrendo também em abrigos e espaços públicos que deveriam proteger os vulneráveis.

Natureza dos ataques e contextos

Entre os tipos de violência, o ataque físico lidera as ocorrências, seguido pela violência psicológica, negligência e abuso institucional. A negligência inclui omissão de socorro e negas de acolhimento. A violência institucional é um componente relevante.

O estudo revela que há padrões de violência repetida ao longo da trajetória das vítimas, com acesso a serviços de saúde apenas em situações emergenciais. A maior parte das agressões ocorre por agentes externos, e não apenas no âmbito familiar.

Desdobramentos e políticas públicas

As tendências indicam que a violência é estruturante, resultado da insuficiência de políticas públicas de proteção social, moradia e educação. Em estados como SP, MG, BA, CE e RJ, os indicadores sobem entre 127% e 206%, com interiorização em Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina.

Entre recomendações, o estudo sugere monitoramento preditivo de territórios de risco, descentralização de investimentos, políticas estruturantes de moradia e trabalho, e integração entre saúde, assistência social, justiça e direitos humanos.

Resposta institucional

O Ministério dos Direitos Humanos disse acompanhar os casos por meio de observatórios e Ouvidoria, destacando que, de 2015 a 2024, mais de 52 mil notificações foram registradas. Em março foi lançado o programa Cidadania PopRua, com acolhimento, orientação e encaminhamentos.

A pasta afirma que a proteção à população em situação de rua é prioridade e que qualquer violação de direitos deve ser combatida e denunciada, com ações para enfrentar violências de gênero e institucional.

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