- Fazendas de antenas de Starlink em Tabatinga, no Amazonas, reúnem dezenas de equipamentos para captar o sinal e repassar a um provedor local, que redistribui a conexão a moradores da região.
- A prática é considerada irregular: viola a política da Starlink, que permite uso individual, e entra nas regras da Anatel como exploração clandestina de serviço de telecomunicações.
- Dados da Anatel mostram que a Starlink concentra 12,8% dos acessos de banda larga fixa nas cidades onde mais de 75% da população vive fora da área urbana.
- Há divergência entre os números da Starlink e da Anatel: a empresa diz ter millón de clientes no Brasil, enquanto a Anatel registra 704.761 acessos em março de 2026; a agência aponta possível envio incorreto de dados pela empresa.
- Moradores dependem da Starlink ou de fibra óptica vinda do Peru; internet via rádio é alternativa, mas é instável e o clima adverso na região pode piorar o sinal.
As fazendas de Starlink reunem dezenas de antenas em um único local para capturar sinais de internet via satélite e revendê-los a consumidores na região da tríplice fronteira, onde a fibra óptica não chega. Em Tabatinga, no Amazonas, relatos indicam uma estrutura com mais de 40 antenas instaladas em uma laje, conectadas a um provedor local.
Essa configuração difere do uso tradicional da Starlink, normalmente feito por indivíduos ou empresas com antenas instaladas em imóveis específicos. No caso observado, o modelo funciona como um funil: várias antenas captam sinal e o redistribuem para moradores e clientes da região, por meio de um único provedor.
A Starlink lidera o mercado de banda larga fixa em municípios remotos, segundo dados da Anatel apurados pelo Poder360. A empresa concentra 12,8% dos acessos nessas cidades, onde mais de 75% da população vive fora da área urbana. A vantagem vem da menor dependência de infraestrutura terrestre.
Em áreas remotas, operadoras comuns podem não oferecer serviço por falta de fibra óptica. A Starlink transmite a internet a partir de uma única antena no imóvel do usuário, ou, no caso das fazendas, de várias antenas reunidas em um ponto, ampliando o alcance.
Para Tabatinga, moradores também dependem da fibra óptica vinda do Peru, revendida na região da tríplice fronteira, ou de serviços de internet via rádio. O sinal é sensível a condições climáticas, como chuva intensa, que podem prejudicar a qualidade.
As fazendas são consideradas irregulares porque a prática viola a política da Starlink, que permite uso individual apenas para o domicílio ou empresa. A atuação também contraria a regulação da Anatel, que exige autorização de SCM (Serviço de Comunicação Multimídia) para revenda de banda larga.
O levantamento de dados considerou acessos de banda larga fixa da Anatel, com registros de prestadores de SCM. Houve divergência entre números da agência e os divulgados pela Starlink, que a Anatel atribui a possível envio incorreto de informações pela empresa.
A Anatel esclareceu que as prestadoras devem enviar dados mensalmente, até o dia 15 do mês seguinte, para evitar defasagens. A Starlink foi questionada sem retorno até o fechamento deste texto, e a reportagem acompanhará eventuais manifestações.
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