- Investigador Everton Aires, conhecido como Bomba, é alvo de investigação na Paraíba por liderar quadrilha com policiais envolvidos com venda de entorpecentes, proteção a foragidos e relações com facções criminosas.
- A operação realizada na terça-feira, pelo Gaeco e pela Polícia Civil, prendeu nove pessoas, entre elas o delegado e dois investigadores.
- Gravações obtidas pela TV Globo mostram o grupo tratando o tráfico como negócio e descrevendo desvios de apreensões, venda de drogas e proteção a criminosos.
- Em áudios, Bomba afirma que a polícia recebe pouco pelos serviços e compara o tráfico a qualquer outro comércio, com menções a venda de cocaína, crack e skunk.
- Entre os detidos está Júnior Lira, suspeito de integrar o Novo Cangaço; a defesa sustenta inocência e nega irregularidades, afirmando que o caso envolve perseguição policial.
O investigador Everton Aires, conhecido como Bomba, liderava uma quadrilha que envolvia policiais da Paraíba, traficantes e facções criminosas. A operação, deflagrada na terça-feira, prendeu nove pessoas, incluindo o próprio Bomba, o investigador Mão Branca e o delegado Braz Morroni. A ação ocorreu em João Pessoa e cidades vizinhas, após apreensões de entorpecentes e monitoramento de comunicações.
Gravações obtidas pelo Fantástico sugerem que agentes da Polícia Civil negociavam drogas com facções, desviavam apreensões e orientavam criminosos a fugir da Justiça. Em conversas, o grupo tratava o tráfico como negócio, com operações para revenda de cocaína, crack e skunk.
Entre os indícios, estão pagamentos superiores a R$ 4 milhões em cinco anos para Bomba, valor incompatível com seu salário de cerca de R$ 8,5 mil. A quantia viria da revenda de drogas apreendidas em operações oficiais. Em uma fala, ele compara o tráfico a qualquer atividade comercial, destacando ganhos acima da renda estatal.
Em outra gravação, Bomba sugere uma rede de contatos para a comercialização de entorpecentes com uma facção criminosa. A investigação aponta que o policial conhecia bem a rotina de criminosos, o que, segundo o Ministério Público, indicaria participação como chefe de uma organização criminosa ligada a atividades de tráfico.
A apuração também envolve o caso de José Alexandrino Júnior Lira, conhecido como Júnior Lira, suspeito de ligação com ataques do Novo Cangaço contra bancos e veículos de transporte de valores no Nordeste. Há relatos de apoio de um policial para a expansão das vendas até Mossoró (RN).
Segundo o Ministério Público, o grupo mantinha relações com a facção Comando Vermelho, o que ampliaria a rede de ações ilícitas. A imprensa teve acesso a gravações e imagens que embasaram as prisões durante a operação.
O Gaeco e a Polícia Civil executaram a ação na última terça, prendendo nove pessoas. As defesas afirmam que não houve irregularidades e que o processo segue seus trâmites legais. Advogados negam participação de seus clientes em irregularidades.
Os envolvidos enfrentam acusações de participação em organização criminosa, tráfico de drogas e corrupção de agentes públicos. A investigação segue para detalhar a extensão das operações, vínculos entre policiais e criminosos, além de identificar possíveis outros coturnos da rede.
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