- O jornal rural independente Khabar Lahariya, feito por mulheres, começou em Bundelkhand, na Índia, em 2002, buscando dar voz a comunidades marginalizadas.
- Hoje, o veículo alcança cerca de 5 milhões de pessoas por mês pelas plataformas digitais e conta com aproximadamente 24 repórteres em 16 distritos de Uttar Pradesh e Madhya Pradesh.
- O projeto ganhou projeção internacional com o documentário Writing With Fire, indicado ao Oscar, ainda que as jornalistas afirmem que o filme mostra apenas parte da história.
- A história é apresentada em The Good Reporter: A Memoir of Journalism in the 21st Century, uma biografia coletiva que mistura memórias e episódios de reportagem para discutir escolhas jornalísticas.
- O jornal original nasceu de oficinas de alfabetização na década de noventa, em Banda, e manteve o foco em narrativas da vida cotidiana rural, falado na língua local bundeli.
O livro The Good Reporter traz a história do Khabar Lahariya, veículo rural independente da Índia administrado por mulheres. Criado em 2002, em Bundelkhand, o jornal é formado por jornalistas de comunidades marginalizadas, muitas sem educação formal. Hoje, ele opera como plataforma digital com alcance de 5 milhões de pessoas por mês.
O Khabar Lahariya é hoje feito por cerca de 24 repórteres em 16 distritos de Uttar Pradesh e Madhya Pradesh. A redação ganhou projeção internacional com o filme Writing With Fire, indicado ao Oscar, embora as jornalistas afirmem que o longa retrata apenas parte da trajetória do veículo.
O livro apresenta o jornal como biografia coletiva, combinando memórias e episódios de reportagem para analisar escolhas editoriais e narrativas. O trecho inicial relembra as origens, em uma oficina de alfabetização que produziu um jornal artesanal vendido pelo grupo.
Origens
Khabar Lahariya nasceu como experimento de alfabetização de adultos em Banda, Uttar Pradesh, em 1993, dentro do centro que ficou conhecido pela iniciativa Mahila Samakhya. Um jornal de grande formato foi desenvolvido em oficinas com alunas e distribuído a comunidades rurais, ganhando rápida aceitação na região.
A ideia era ampliar a voz de camadas rurais, especialmente mulheres, que viviam sob normas de casta, classe e gênero. O objetivo era apresentar histórias cotidianas a partir da perspectiva de quem antes era pouco ouvido pela imprensa tradicional.
Bundelkhand, onde Banda fica, é uma região seca e economicamente desfavorecida, com acesso restrito a serviços públicos. Os relatos do jornal destacavam vidas rurais, denunciando abusos, desigualdades e a distância entre as políticas públicas e a realidade local.
Desafios e abordagem jornalística
O jornal surgiu para registrar mundos pouco cobertos pela mídia dominante, com linguagem famil iar aos moradores locais. Ele passou a cobrir temas cotidianos de vilarejos, trazendo à luz casos de violência, pobreza e falhas administrativas que antes permaneciam invisíveis para o público urbano.
A linguagem e a presença de jornalistas de castas marginalizadas ajudaram a criar uma cobertura mais direta das condições de vida rurais. A proposta era manter o foco na vida cotidiana, com uma visão crítica das estruturas locais de poder e das políticas públicas voltadas aos povos das áreas rurais.
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