- Thamara Leite Ferraz Junqueira, médica veterinária, é responsável técnico de um sítio com mais de 300 cabeças de vacas leiteiras, cuja produção de queijos é vendida no Brasil há dez anos; ela representa uma presença feminina em posição rara na cadeia.
- O queijo produzido por mulheres era tradicionalmente artesanal e pouco reconhecido no mercado formal; especialistas destacam que o valor passou a ser de negócio com o tempo, mudando a percepção sobre o papel feminino na queijaria.
- Paula Nogueira, diretora-geral do Sítio Paiolzinho, assumiu a produção de queijos após o encerramento da atividade da família; ela enfrenta descrédito e assédio, mas afirma sentir orgulho do avanço das mulheres em liderança do setor.
- Débora Pereira, diretora da SerTãoBras e organizadora do Festival Mundial do Queijo, destaca a importância de mais mulheres ocupando pódios e negociações; o Mundial de Queijo de 2026 registrou apenas 35% de queijos inscritos por mulheres ou com responsável técnico feminino.
- O Mundial incluiu uma premiação para a melhor queijeira que produz com leite da própria fazenda, em memória de Raquel Cattani, cuja medalha de ouro foi marcada por um feminicídio quatro meses depois; Débora afirma que o episódio motivou ações para ampliar a presença feminina no setor.
Mulheres entram na cadeia produtiva do queijo no Brasil, rompendo estereótipos e ocupando posições de liderança. A história envolve técnicas de fazenda, gestão de propriedades leiteiras e participação em palcos nacional e internacional.
Thamara Leite Ferraz Junqueira é médica veterinária e responsável técnica do Sítio do Charco, em Cruzília, Minas Gerais. Há uma década comanda mais de 300 vacas leiteiras, dedicadas à produção de queijos comercializados no Brasil.
Paula Nogueira, diretora-geral do Sítio Paiolzinho, também figura entre as líderes da produção. A trajetória teve início quando o pai encerrou a atividade na propriedade, levando Paula a investir em estudos para seguir no ramo.
Débora Pereira, diretora da SerTãoBras e organizadora do Festival Mundial do Queijo, promove a presença feminina no setor. Ela reivindica maior participação das mulheres em pódios, prêmios e lideranças do queijo brasileiro.
O cenário revela que o queijo, antes produzido predominantemente pelas mãos femininas para uso familiar, passou a ter maior participação masculina no mercado formal. Pesquisas apontam que a mudança ocorre com a valorização comercial do produto.
Dados do Mundial do Queijo de 2026 indicam que apenas 35% dos queijos inscritos tinham produção ou responsabilidade técnica feminina. Mesmo assim, iniciativas como premiações para queijeiras com leite da própria fazenda buscam ampliar o protagonismo feminino.
A atuação de Débora Martins, proprietária da Queijaria Cave 381, foi reconhecida com o título de melhor queijista do último Mundial. Ela destaca o esforço conjunto para equilibrar carreira, maternidade e o desejo de superar barreiras.
Especialistas ouvidos pela reportagem ressaltam que a presença feminina no setor tende a crescer, à medida que mais mulheres ocupam chefias em fazendas, cooperativas e festivais. O movimento representa uma mudança gradual na história do queijo no Brasil.
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