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Tratamos a informação como infraestrutura: por que não?

Informação vira infraestrutura de proteção: redes locais e verificação devem comunicar dados confiáveis antes de novas enchentes

Reflexo ondulado de um prédio antigo com arquitetura clássica, incluindo colunas e janelas altas, visto em superfície de água que distorce a imagem. Céu azul com poucas nuvens ao fundo.
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  • Em maio de 2024, enchente histórica no Rio Grande do Sul expôs falha de alertas: uma moradora contou que o marido e a filha morreram, enquanto ela sobreviveu agarrada a uma torre por 24 horas.
  • Com a previsão de El Niño muito forte entre novembro de 2026 e janeiro de 2027, há alerta de chuvas intensas no Sul, e Santa Catarina já decretou estado de alerta climático.
  • Em Porto Alegre, jornalistas criaram um grupo de WhatsApp com Defesa Civil, pesquisadores e lideranças comunitárias que checavam dados de risco antes da divulgação pública.
  • No bairro Sarandi, moradores mapearam bueiros entupidos, pressionaram a prefeitura e, um ano depois, foram registradas chuvas fortes sem alagamentos significativos no local.
  • O texto defende que a informação de emergência é infraestrutura pública de confiança, envolvendo ecossistema local — jornalistas, rádios, associações e lideranças — e exige prepação que inclua esses atores, não apenas alertas centrais.

Em maio de 2024, acompanhei pelo Fantástico a maior enchente já registrada no Rio Grande do Sul. Uma moradora do Vale do Taquari relatou não ter recebido alerta, chegando a perder marido e filha; ela ficou agarrada a uma torre por 24 horas e sobreviveu.

Duas décadas atrás, o jornalismo já mostrava erros de projeção e falta de confiança. Hoje, diante de um novo El Niño e chuvas previstas para o Sul, a pergunta é se informação de emergência é apenas alerta ou infraestrutura para orientar decisões.

A enchente de 2024 em Porto Alegre evidenciou o papel de redes locais. Um grupo de WhatsApp reuniu Defesa Civil, pesquisadores e lideranças comunitárias e ajudou a corrigir um mapa de risco antes de gerar pânico.

Ecossistema de informação em emergências

Jornalistas, rádios comunitárias, associações e lideranças territoriais trabalharam juntos, ainda que de modo emergencial, para checar dados. O grupo local ajudou a transformar dados dispersos em orientações úteis para a população.

Esse movimento não substitui o Estado, mas amplia a confiabilidade da informação. Em Porto Alegre, apenas 12 mil pessoas estavam cadastradas no serviço municipal de alertas, em cidade com 1,3 milhão de habitantes.

Caminhos para preparação

Especialistas alertam para a necessidade de redes de confiança que vão além de apps e plataformas. Um ecossistema ativo pode mapear produtores de informação confiável e integrar planos de emergência de territórios.

Moradores de Sarandi, distrito de Porto Alegre, criaram um mapa georreferenciado de bueiros entupidos para pressionar a prefeitura. Um ano depois, houve chuva forte e a área ficou menos vulnerável a inundações.

Essa abordagem mostra que, em crises, informação bem estruturada funciona como infraestrutura pública. Organizar a circulação de dados antes da crise reduz danos sem depender apenas de obras ou alarmes isolados.

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